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Orishas canta ‘537 C.U.B.A’ em SP e protesta com fãs: ‘Cuba livre!’; veja

Duo liderado por Yotuel Romero e Roldán González transformou o Tokio Marine Hall em palco de manifestações políticas

Cantor cubano Yotuel Romero em show do Orishas, no Tokio Marine Hall, em São Paulo | Amon Borges - 15.mar.2026/Portal Lineup
Cantor cubano Yotuel Romero em show do Orishas, no Tokio Marine Hall, em São Paulo | Amon Borges - 15.mar.2026/Portal Lineup

O grito de “Cuba livre” ecoou com força no Tokio Marine Hall na noite deste domingo (15). O Orishas, um dos maiores nomes da música latina, não se limitou a apresentar seus sucessos e transformou o reencontro com São Paulo em um ato político contra o regime ditatorial de seu país de origem.

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Liderado por Yotuel Romero, que hoje vive em Miami e é um dos compositores do hino de protesto “Patria y Vida”, o grupo aproveitou a performance para reforçar sua mensagem de liberdade. A interação com o público, composto por muitos cubanos residentes na capital paulista, foi forte quando as batidas de “537 C.U.B.A.” preencheram a casa de shows. O número no título da canção fazreferência ao códigos de área de Cuba e Havana.

Apesar do tom combativo, a noite também foi uma celebração das raízes melódicas da ilha. O show começou com “Quizás, Quizás, Quizás”, obra de Osvaldo Farrés datada de 1947. Roldán González, com sua característica voz anasalada, deu o tom da apresentação ao fundir o clássico cubano com a sonoridade urbana que consagrou o duo mundialmente.

Cantor cubano Yotuel Romero (sentado) em show do Orishas, no Tokio Marine Hall, em São Paulo | Amon Borges - 15.mar.2026/Portal Lineup
Cantor cubano Yotuel Romero (sentado) em show do Orishas, no Tokio Marine Hall, em São Paulo | Amon Borges – 15.mar.2026/Portal Lineup

A sequência de hits seguiu com Represent, faixa que fez o público cantar em coro absoluto. Músicas como “Atrevido” e “A Lo Cubano” mantiveram a energia em alta, provando que, mesmo após sete anos longe da cidade, a conexão com os fãs brasileiros permanece intacta e vigorosa.

Durante a canção “Mística”, Yotuel Romero deixou o palco para cantar diretamente do meio da pista, criando um dos momentos mais próximos da única apresentação. Outro destaque foi a participação de Elisa na faixa “Havana 1957”, que trouxe uma atmosfera de sofisticação ao resgatar a história da capital cubana de décadas passadas.

A conexão entre as nações foi reforçada por covers de artistas lendários que moldaram o som da ilha. O grupo apresentou versões de “Chan Chan”, de Compay Segundo, e a imortal “Guantanamera”. A banda soube transitar com facilidade entre a nostalgia das ruas de Havana e a crueza do rap.

O fechamento do show ocorreu com “Nací Orishas”, quando o grupo convidou diversas pessoas do público para subirem ao palco. Foi o encerramento para uma noite que começou com um bolero de 1947 e terminou com uma celebração da diáspora cubana. A banda deixou o palco sob aplausos, reafirmando seu status de ícone da resistência cultural latina.

Antes de desembarcar no Brasil, o Orishas passou pelo Lollapalooza Chile na sexta-feira (13). A performance foi uma exclusividade da edição de Santiago, já que a banda não foi escalada para as versões do festival na Argentina ou no Brasil, o que tornou a data paulistana um evento raro.


O grupo agora vive uma nova era, focada na sinergia entre Yotuel e Roldán (que reside na Europa). Segundo os músicos, esta fase é a mais saudável da história do projeto, livre de desgastes internos do passado. A ausência de Flaco-Pro e Ruzzo Medina foi suprida por uma banda de apoio afiada que garantiu o peso das batidas originais no Tokio Marine Hall.

Formado originalmente em Paris, em 1999, o Orishas revolucionou a música global ao fundir o rap com ritmos tradicionais. O nome, que homenageia divindades da religião iorubá, reforça a ligação dos artistas com a ancestralidade e a identidade afro-cubana, temas centrais em suas letras desde o álbum de estreia, “A Lo Cubano”.

A nova fase do duo também prevê colaborações internacionais com artistas locais. Yotuel revelou ao Portal Lineup que o próximo álbum, previsto para novembro de 2026, contará com participações de Russo Passapusso, do BaianaSystem, e da cantora Alcione.

Além do disco, há negociações para que o Orishas retorne em festivais de maior porte. O grupo está no radar da organização do Rock in Rio para possíveis apresentações na edição de Lisboa, em junho, e na do Rio de Janeiro, em setembro de 2026.

“É incrível voltar a São Paulo. Mesmo quando o público não entende todas as letras, a energia que vem daqui é única. Nenhum outro lugar tem essa vibração”, declarou Yotuel ao final da apresentação, comparando o calor dos fãs brasileiros com a intensidade da alma cubana e a recepção caribenha.

Setlist do Orishas em SP (15.mar.2026)

  1. Quizás, Quizás, Quizás (cover de Osvaldo Farrés)
  2. Represent
  3. Hay Un Son
  4. Atrevido
  5. Canto Para Elewa y Changó
  6. Bembe
  7. A Lo Cubano
  8. Mística
  9. 537 C.U.B.A.
  10. Chan Chan (cover de Compay Segundo)
  11. Guantanamera (cover de Joseíto Fernández)
  12. Havana 1957 (com Elisa)
  13. El Kilo
  14. Barrio
  15. Cuba Isla Bella
  16. ¿Qué Pasa?
  17. Patria y Vida
  18. No Hace Falta Na’
  19. Nací Orishas

Vídeos do Orishas em SP (15.mar.2026)

 

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