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‘Ninguém é ilegal’, diz Manu Chao ao cantar ‘Clandestino’ em show no Cine Joia

Em noite de manifestações no Grammy, artista franco-espanhol fez sua própria declaração política no palco do Cine Joia

Cantor franco-espanhol Manu Chao em show no Cine Joia, em São Paulo | Amon Borges - 1º.fev.2026/Portal Lineup
Cantor franco-espanhol Manu Chao em show no Cine Joia, em São Paulo | Amon Borges - 1º.fev.2026/Portal Lineup

Na mesma noite em que a cerimônia do Grammy, em Los Angeles, foi palco para discursos de artistas como Bad Bunny e Billie Eilish contra as políticas de imigração dos EUA, Manu Chao fez seu próprio protesto em São Paulo. No palco do Cine Joia, neste domingo (1º), o artista franco-espanhol transformou seu show em um manifesto “contra a ultradireita”, reforçando a mensagem que carrega há décadas com um recado direto: “Estados Unidos, fora da América Latina!”.

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A apresentação foi a primeira de Manu Chao em São Paulo com sua turnê “Ultra Acústico”, e a terceira nesta volta ao Brasil Brasil, após ter passado por Porto Alegre e Florianópolis. Em um clima festivo e de forte conexão com a plateia, que lotou a casa, o músico entregou um espetáculo de mais de duas horas, mesclando seus maiores sucessos com um discurso político afiado.

A mensagem “Ninguém é ilegal” foi entoada pelo público durante a execução de “Clandestino”, um de seus principais sucessos, de 1998. A canção, que narra a saga de um imigrante sem documentos, ganhou um peso ainda maior no contexto atual. “Perdido no coração da grande Babilônia / Me chamam de ‘o clandestino’ por não ter documento”, dizem os versos. Outra mensagem foi a de “Palestina Livre”, com uma bandeira exposta no palco durante toda a noite.

Esse posicionamento ressoa em um momento de alta tensão no continente americano, com a recente invasão da Venezuela por forças dos Estados Unidos e a captura do então presidente Nicolás Maduro no início de janeiro, somadas às ameaças à Colômbia, temas que têm pautado debates sobre a soberania na região.

A postura de Manu Chao dialogou diretamente com o que acontecia a milhares de quilômetros dali. No Grammy, Bad Bunny, ao receber um de seus três prêmios da noite, declarou: “Antes de dizer ‘obrigado, Deus’, vou dizer: fora, ICE. Não somos selvagens, não somos animais, nós somos seres humanos”. A sigla se refere à criticada agência de imigração dos EUA, que vem efetuando diversas prisões no país, incluindo crianças.

Na mesma cerimônia, Billie Eilish, ao vencer o prêmio de canção do ano, afirmou que “ninguém é ilegal em terra roubada”, ecoando o sentimento anti-imperialista que é uma marca na obra de Manu Chao.

Essa consciência política é a espinha dorsal da carreira do artista de 64 anos. Nascido em Paris, ele é filho de Ramón Chao, um jornalista espanhol de raízes galegas que se exilou na França para fugir da ditadura de Francisco Franco. Essa herança moldou sua visão de mundo e sua música.

Sua primeira grande imersão na América Latina foi com a banda Mano Negra, que liderou ao lado de seu irmão Antoine Chao e do primo Santiago Casariego, de 1987 a 1995. O grupo, que fundia punk, rockabilly e ritmos latinos, realizou uma turnê histórica pelo continente em 1992, uma experiência que o marcou profundamente.

Desde então, sua ligação com a região, e especialmente com o Brasil, só se fortaleceu. O cantor, que já morou em Salvador e no Rio de Janeiro, já dividiu o palco com Gilberto Gil, teve a participação dos Paralamas do Sucesso em um de seus álbuns e já cantou com BaianaSystem. Suas passagens pelo país se tornaram frequentes, como as longas estadas em 2024 e 2025.

O laço mais forte com o país, no entanto, é seu filho Kirá, cantor e compositor cearense que mora em Brasília. Em conversa com o Portal Lineup, Manu Chao, inclusive, revelou que o filho fará uma participação especial em mais um show da tour “Ultra Acústico”, nesta quarta-feira (4), também no Cine Joia.

Guitarrista argentino MatuMati (esq.), cantor franco-espanhol Manu Chao (centro) e percussionista espanhol Miguel Rumbao em show no Cine Joia, em São Paulo | Amon Borges - 1º.fev.2026/Portal Lineup
Guitarrista argentino MatuMati (esq.), cantor franco-espanhol Manu Chao (centro) e percussionista espanhol Miguel Rumbao em show no Cine Joia, em São Paulo | Amon Borges – 1º.fev.2026/Portal Lineup

No palco, o formato acústico não diminui a energia. Acompanhado pelo guitarrista argentino MatuMati e pelo percussionista espanhol Miguel Rumbao, Manu Chao pula, dança e interage intensamente com o público em um repertório que inclui “Mr. Bobby”, “Desaparecido”, “Me Gustas Tu”, “King of the Bongo” e “Minha Galera”.

A atual visita ao país acompanha um período prolífico do artista. Em setembro de 2024, ele lançou “Viva Tu”, seu primeiro álbum de inéditas em 17 anos. Em dezembro de 2025, o músico divulgou o EP “La Couleur du Temps”, com remixes de faixas do novo disco.

Essa conexão com o Brasil se reflete na faixa “São Paulo Motoboy”, cujo clipe, gravado na cidade, mostra uma entregadora “carregando injustiça nas costas”, enquanto o artista canta em frente a um grafite de Marielle Franco.

Depois dos compromissos na capital paulista, a excursão parte para Ribeirão Preto (8/2), Rio de Janeiro (11/2), Belo Horizonte (15/2) e Brasília (21/2).

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Próximas datas da turnê ‘Ultra Acústico’

  • 4 de fevereiro – São Paulo – Cine Joia
  • 8 de fevereiro – Ribeirão Preto – Armazém Baixada
  • 11 de fevereiro – Rio de Janeiro – BCo. Space Makers
  • 15 de fevereiro – Belo Horizonte – Rust Music Bar
  • 21 de fevereiro – Brasília – Arena Comic

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