Perry Bamonte, músico que teve duas passagens importantes pela banda britânica The Cure, morreu aos 65 anos. A informação foi confirmada pelo próprio grupo em um comunicado oficial nesta sexta-feira (26), informando que o músico faleceu em casa, durante o período do Natal, após uma “breve doença”.
“Silencioso, intenso, intuitivo, constante e extremamente criativo, ‘Teddy’ foi uma parte vital e calorosa da história do Cure”, escreveu a banda em homenagem ao ex-integrante, que tinha o apelido de Teddy.
Nascido em Londres, Perry Archangelo Bamonte iniciou sua trajetória com o grupo em 1984, trabalhando como técnico de guitarra de Robert Smith. Ele se tornou membro efetivo em 1990, substituindo o tecladista Roger O’Donnell. Curiosamente, como tinha pouca experiência no instrumento, teve aulas com Janet Smith, irmã do vocalista.
Sua versatilidade logo se tornou uma marca. Bamonte participou do álbum “Wish” (1992) tocando guitarras e teclados, além de assumir o baixo de seis cordas nos singles “Friday I’m in Love” e “A Letter to Elise”. Ele seguiu contribuindo em “Wild Mood Swings” (1996) e, com a saída de Pearl Thompson em 1994, assumiu um papel mais central na guitarra.

Nos discos seguintes, “Bloodflowers” (2000) e “The Cure” (2004), Bamonte concentrou-se principalmente na guitarra, além de colaborar na direção de arte e fotografia de alguns projetos. Ele e O’Donnell deixaram a banda em 2005, quando Smith optou por reduzir a formação para um trio.
O músico retornou ao The Cure em 2022 para a aclamada turnê “Shows of a Lost World”, permanecendo com o grupo até 2024. Foi com essa excursão que a banda fez sua última passagem pelo Brasil.
A apresentação aconteceu em dezembro de 2023, quando o The Cure foi um dos headliners do festival Primavera Sound, em São Paulo. O show no autódromo de Interlagos foi um dos mais elogiados daquela edição.
No comunicado, a banda destacou que o músico participou de mais de 400 shows em sua primeira passagem e outros 90 em seu retorno, “alguns dos melhores da história da banda, culminando com o show ‘Show of a Lost World’ em Londres, em 1º de novembro de 2024”.
Em uma entrevista de 2006, Bamonte relembrou com carinho seu período mais marcante na banda. “Tenho que dizer que ‘Wish’ foi, de longe, meu [álbum] favorito. Obviamente, o fato de eu ter acabado de entrar na banda tem muito a ver com isso, mas veio na esteira de ‘Disintegration’, a banda estava realmente no auge, e parecia que o mundo era nosso”, disse ele.
Após sua primeira saída, Bamonte se dedicou a um de seus hobbies, a pesca com mosca, e retornou à música com o supergrupo Love Amongst Ruin, que contava com ex-integrantes do Placebo. Em 2019, foi incluído no Hall da Fama do Rock and Roll ao lado de outros membros do The Cure.



