Bob Weir, guitarrista, vocalista e cofundador do Grateful Dead, morreu neste sábado (10), aos 78 anos. A informação foi confirmada pela família do músico em um comunicado. Ele, que teve um câncer diagnosticado em julho do ano passado, faleceu devido a complicações pulmonares relacionadas à doença.
“Ele fez a passagem em paz e cercado por pessoas queridas”, diz a publicação. “Por mais de 60 anos, Bobby esteve na estrada. Guitarrista, vocalista, contador de histórias e membro fundador do Grateful Dead, ele será sempre lembrado como uma força orientadora cuja arte singular remodelou a música americana”.
Nascido Robert Hall Weir em São Francisco, nos Estados Unidos, em 16 de outubro de 1947, o músico começou a tocar guitarra aos 13 anos. Foi na véspera do Ano-Novo de 1965 que sua vida mudou: ao ouvir um som de banjo vindo de uma loja de instrumentos em Palo Alto, na Califórnia, ele entrou e encontrou Jerry Garcia. Daquele encontro, nasceria a banda que se tornaria o Grateful Dead.
Formado por Weir, Garcia, Phil Lesh, Bill Kreutzmann e “Pigpen” McKernan, o grupo se tornou a trilha sonora do movimento hippie em São Francisco, com uma fusão única de rock psicodélico, folk e blues, e ficou mundialmente conhecido por suas longas sessões de improviso no palco.
Muitas vezes visto como “O Outro” (“The Other One”), em contraponto à figura central de Garcia, Weir era, na verdade, a âncora rítmica da banda. “Ele é um músico extraordinariamente original”, disse Garcia certa vez. “Em um mundo cheio de pessoas que soam iguais, ele realmente tem um estilo totalmente único”.
Essa dualidade se refletia em suas composições. Foi de sua autoria a letra de “The Other One”, que narra seu primeiro contato com o LSD. Seu primeiro álbum solo, “Ace” (1972), trouxe ao repertório da banda clássicos como “Playing in the Band” e “Cassidy”.
Ao longo dos anos, Weir também se destacou como um dos principais vocalistas, imortalizando hinos como “Truckin'”, com seu refrão emblemático “What a long, strange trip it’s been” (Que viagem longa e estranha tem sido), e a ensolarada “Sugar Magnolia”.
Após a morte de Jerry Garcia em 1995, coube a Weir o papel de “guardião da chama”. Ele seguiu na estrada com diversos projetos que mantiveram o vasto repertório do Grateful Dead vivo, como o supergrupo RatDog.
A celebração de 50 anos do grupo em 2015, com os shows “Fare Thee Well”, abriu um novo e popular capítulo. A partir daquele encontro, Weir formou o Dead & Company ao lado de ex-integrantes e do guitarrista John Mayer, levando a música da banda para uma nova geração de fãs em turnês massivas por estádios.
Seus últimos momentos no palco foram carregados de um simbolismo que só agora se revela. Em agosto de 2025, o Dead & Company realizou três shows no Golden Gate Park, em São Francisco, para celebrar os 60 anos do Grateful Dead. O que o público não sabia era que um câncer havia sido diagnosticado em Weir semanas antes. “Aquelas performances, emocionantes e cheias de alma, não foram despedidas, mas presentes”, escreveu a família.
O último show de sua vida, em 3 de agosto de 2025, terminou com “Touch of Grey”, talvez a canção mais famosa do grupo, com Weir nos vocais principais.
Em uma de suas últimas entrevistas à revista Rolling Stone, Weir refletiu sobre o futuro e a morte com serenidade. “Eu anseio pela morte. Tendo a pensar nela como a última e melhor recompensa por uma vida bem vivida. Ainda tenho muito no meu prato e não estarei pronto para ir por um tempo”, disse ele.
Com sua partida, encerra-se a “longa e estranha viagem” de um dos músicos mais singulares e influentes do rock, cuja contribuição rítmica e poética foi fundamental para a sonoridade de uma das bandas mais amadas da história.



