“Antes de dizer ‘obrigado, Deus’, vou dizer: fora, ICE. Não somos selvagens, não somos animais, nós somos seres humanos, somos americanos”. Com essa declaração contundente, Bad Bunny marcou a 68ª edição do Grammy Awards, neste domingo (1º), na Crypto.com Arena, em Los Angeles. O discurso, proferido ao receber o prêmio de melhor álbum de música urbana, deu o tom de uma noite politizada, com diversas manifestações contra as políticas de imigração do governo de Donald Trump.
“A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor, então, por favor, precisamos ser diferentes. Se lutarmos, temos que lutar com amor”, completou o artista, que mais tarde faria história ao vencer a principal categoria da noite, a de álbum do ano, com o disco “Debí Tirar Más Fotos”.
O protesto do cantor ecoa uma preocupação real em sua carreira. Bad Bunny, que não incluiu os Estados Unidos em sua atual turnê mundial por medo de batidas de agentes do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas) em seus shows, faz o show do intervalo do Super Bowl neste sábado (8), evento que o governo de Donald Trump confirmou que terá fiscalização.
Em algumas semanas, ele desembarca no Brasil para duas apresentações em São Paulo, no Allianz Parque, nos dias 20 e 21 de fevereiro, com poucos ingressos disponíveis.

Outros artistas também usaram a plataforma para se posicionar. Ao receber o prêmio de canção do ano por “Wildflower”, Billie Eilish declarou: “Ninguém é ilegal em terras roubadas”. A cantora Kehlani, que venceu na categoria de R&B, xingou a agência com um palavrão, enquanto Olivia Dean, eleita artista revelação e neta de imigrantes, dedicou sua conquista à “coragem de seus antepassados”.
A noite, apresentada pela sexta e última vez por Trevor Noah, também teve críticas diretas ao atual presidente americano. O comediante ironizou o caso do milionário Jeffrey Epstein, o que gerou uma resposta irritada de Trump em sua rede social, onde chamou o apresentador de “completo perdedor”.
Em meio aos protestos e discursos, Kendrick Lamar se consagrou como o rapper mais premiado da história do Grammy, levando cinco estatuetas, incluindo a de gravação do ano.
Lady Gaga, que venceu três prêmios, aproveitou o palco para fazer um discurso sobre o papel das mulheres na indústria. “Eu sei que pode ser difícil, para as mulheres, quando vocês estão em um estúdio cheio de homens. Peço que vocês nunca deixem de ouvir a si mesmas e lutar por suas ideias”, disse a cantora.
A música brasileira também foi celebrada com a vitória de Caetano Veloso e Maria Bethânia na categoria de melhor álbum de música global com “Caetano e Bethânia ao Vivo”.



