O Green Day levou suas críticas políticas ao palco Skyline do The Town na noite deste domingo (7). A banda californiana abriu seu show com a explosiva “American Idiot” e o vocalista Billie Joe Armstrong, 53 anos, aproveitou para adaptar a letra, como tem feito desde 2016. No verso original “I’m not a part of a redneck agenda” (“eu não faço parte de uma agenda caipira”), ele substituiu por “I’m not a part of a MAGA agenda”, em uma crítica direta a Donald Trump e seu slogan “Make America Great Again”. A palavra “redneck” serve para identificar um estereótipo de homem branco do interior, com características conservadoras.
A performance de 1h37 encerrou o segundo dia do festival no autódromo de Interlagos, São Paulo, e marcou o retorno do Green Day à cidade após sete anos. O show, parte da turnê do álbum “Saviors” (2024), lavou a alma do público que lotou o autódromo com uma mistura de nostalgia, energia punk e mais manifestações políticas.
O tom político continuou em “Holiday”. No trecho em que a letra critica o “representante local”, Armstrong trocou a palavra “Califórnia” por “São Paulo”. Após “Letterbomb”, o vocalista foi ainda mais direto: “Nós já estamos cheios desses políticos, desses bastardos fascistas. Então não queremos saber mais deles, não esta noite, não no Dia da Independência”, disse.
A noite já havia começado com a plateia em aquecimento. Enquanto o palco era preparado, os alto-falantes tocaram “Bohemian Rhapsody”, do Queen, cantada em coro pelo público. Em seguida, o mascote Drunk Bunny surgiu ao som de “Blitzkrieg Bop”, dos Ramones, preparando o terreno para a entrada da banda.
A interação com os fãs foi um dos pontos altos. Carismático e incansável no palco, Billie Joe Armstrong mantém a mesma energia de quando a banda explodiu com o álbum “Dookie”, em 1994. Em “Know Your Enemy”, uma fã foi convidada para subir ao palco e cantar junto. Em “Hitchin’ a Ride”, ele dividiu o público para uma disputa de canto e pegou uma bandeira do Brasil jogada pela plateia.
O repertório foi um desfile de sucessos. De “Dookie”, vieram “Basket Case”, “Longview” e “Welcome to Paradise”. A relação de Armstrong com drogas e ansiedade, temas recorrentes em suas letras, também se fez presente em faixas como “Basket Case” e a nova “Dilemma”, que aborda a luta do vocalista contra o vício. Em 2012, o cantor se internou após um surto em um festival, mas em entrevistas recentes, afirmou ter voltado à sobriedade.
O show foi encerrado de forma acústica e emocionante com “Good Riddance (Time of Your Life)”, do álbum “Nimrod” (1997), com o público cantando cada verso junto com o vocalista, em meio a uma chuva de papéis picados verde e amarelos.
O segundo dia do The Town foi marcado pelo rock e por manifestações. Antes do Green Day, o Bad Religion também fez críticas em seu show. Já o CPM 22 foi interrompido por gritos de “sem anistia”, e Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial, criticou a “PEC da impunidade”.
O festival retorna na quinta-feira (12), com shows de Backstreet Boys e Luísa Sonza. A programação segue na sexta (13) com Mariah Carey e Lionel Richie, e encerra no sábado (14) com Katy Perry e Camila Cabello.
Após São Paulo, o Green Day segue para Curitiba, onde se apresenta na Ligga Arena na sexta-feira (12). A banda encerra a turnê sul-americana, que já passou por Chile, Peru, Colômbia e Argentina, em Assunção, capital do Paraguai, em 15 de setembro.
Setlist do Green Day no The Town (7.set.2025)
- “American Idiot”
- “Holiday”
- “Know Your Enemy”
- “Boulevard of Broken Dreams”
- “One Eyed Bastard”
- “Longview”
- “Welcome to Paradise”
- “Hitchin’ a Ride”
- “Brain Stew”
- “St. Jimmy”
- “Dilemma”
- “21 Guns”
- “Minority”
- “Basket Case”
- “When I Come Around”
- “Letterbomb”
- “Wake Me Up When September Ends”
- “Jesus of Suburbia”
- “Bobby Sox”
- “Good Riddance (Time of Your Life)”



