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Tyler, the Creator rege multidão e encerra Lollapalooza com show de um homem só

Em estreia solo no país, rapper uniu personas de sua carreira a tributo à música brasileira para público de 285 mil pessoas

Rapper norte-americano Tyler, the Creator durante show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 22.mar.2026/Divulgação
Rapper norte-americano Tyler, the Creator durante show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 22.mar.2026/Divulgação

A espera de 15 anos para ver Tyler, the Creator em solo brasileiro terminou com uma performance de autoridade na noite deste domingo (22). Como headliner de encerramento do Lollapalooza, o rapper norte-americano entregou um set que dispensou bandas ou DJ’s de apoio para demonstrar sua capacidade de preencher a imensidão do autódromo de Interlagos apenas com sua presença cênica.

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Diferentemente de atrações que apostaram em cenografias gigantescas nos dias anteriores, Tyler ocupou o palco sozinho, utilizando apenas recursos pirotécnicos para pontuar as transições rítmicas. Vestido inteiramente de vermelho e com o boné característico da fase atual, o artista estabeleceu um contraste entre o minimalismo visual e a densidade de sua entrega vocal, guiada pelas faixas de seus trabalhos mais recentes, como os discos *Don’t Tap the Glass* e *Chromakopia*.

O show foi inaugurado com a sequência “Big Poe” e “St. Chroma”, mergulhando o público no universo sombrio e rítmico que marca sua trajetória atual. A maturidade do artista transpareceu na alternância entre a energia explosiva de “Rah Tah Tah” e a introspecção de “Noid”, canção em que Tyler rima sobre inseguranças e a vigilância constante da fama, deixando de lado a inconsequência que marcou o início de sua carreira no coletivo Odd Future.

A musicalidade de Tyler se manifestou na facilidade com que ele transitava entre o falsete e a agressividade do rap. Durante “Sugar on My Tongue” e “Ring Ring Ring”, o cantor flertou com o público através de coreografias que emulavam o suingue do R&B clássico. A performance demonstrou que a versatilidade de suas composições sustenta a complexidade dos arranjos sem a necessidade de dobras vocais ou bases pré-gravadas excessivas.

A interação com a plateia paulistana foi um dos pontos altos da noite. Entre tentativas de arriscar palavras em português e a reação bem-humorada ao coro de “Tyler, gostoso”, o rapper demonstrou um carisma que quebrou a frieza de sua persona enigmática. Em tom de provocação, ele chegou a responder aos gritos dos fãs com um “obrigado, putos!”, adotando a gíria que circulou nos bastidores para selar a conexão com o público de São Paulo.

Em uma pausa estratégica, Tyler fez questão de exaltar a cultura brasileira e citar ídolos que influenciaram sua percepção artística. “Tenho mais algumas músicas, mas quero agradecer por todo o amor que vocês estão me dando. Amo música brasileira, Gal Costa e João Gilberto. A cultura de vocês é muito rica”, declarou, antes de ser ovacionado pelas milhares de pessoas.

O repertório também resgatou momentos fundamentais da última década para os fãs que acompanham sua evolução desde 2011. Trechos de “Are We Still Friends?” e “She” mostraram a transição entre as diversas identidades visuais e sonoras que o consolidaram como um produtor criativo. A entrega técnica foi nítida: Tyler sustentou cada nota com o vigor de quem precisava reafirmar seu espaço após o cancelamento de sua vinda ao país em 2018.

A carga emocional do set se manifestou em “Ifhy”, sob acordes de piano, e na melódica “I Think”, em que o artista brincou com o otimismo de suas letras sobre afeto. Nessas passagens, o palco era tomado por uma iluminação que acompanhava a variação de humor das rimas, provando que Tyler entende o festival como um espaço de encenação contínua, em que ele é o único protagonista necessário no palco principal.

A força do hip-hop foi celebrada em “Tamale”, que ganhou batidas inspiradas no funk brasileiro enquanto Tyler pulava com uma bandeira do Brasil estampada com seu próprio rosto. Já em “Like Him”, o rapper refletiu sobre a ausência da figura paterna sob uma cascata de faíscas que iluminou a pista. O show seguiu para o encerramento com “New Magic Wand”, em que a energia atingiu o ápice com o público agitando as mãos em sincronia.

A despedida ocorreu às 22h45 com “See You Again”, selando o domingo com um tom de rap melódico que já se tornou clássico em seu repertório. Tyler deixou o palco após prometer que não levaria tanto tempo para retornar, encerrando o Lollapalooza 2026 com uma apresentação fundamentada na qualidade das letras e na vontade de ocupar o espaço brasileiro de forma autêntica e sem excessos cenográficos.

Rapper norte-americano Tyler, the Creator durante show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 22.mar.2026/Divulgação
Rapper norte-americano Tyler, the Creator durante show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 22.mar.2026/Divulgação

O domingo de encerramento também contou com o retorno de Lorde, que atraiu uma multidão para o palco Samsung Galaxy com a estética do disco “Virgin”. Outro destaque foi o rock psicodélico de Djo, projeto do ator Joe Keery, além da performance enérgica do Turnstile e das estreias de Addison Rae e do grupo feminino Katseye.

Entre as atrações nacionais do terceiro dia houve o manguebeat do Mundo Livre S/A, o rap do mineiro FBC e o som experimental da banda carioca Oruã.

A 13ª edição começou na sexta-feira (20) com o rock do Deftones e o pop de Sabrina Carpenter, que protagonizou um encontro com Luísa Sonza. O primeiro dia ainda contou com Doechii e as apresentações nacionais de Negra Li e Edson Gomes, garantindo diversidade rítmica desde a abertura dos portões.

No sábado (21), os destaques ficaram para o fenômeno Chappell Roan, o retorno de Lewis Capaldi e o set eletrônico de Skrillex. O festival também abriu espaço para o hip-hop histórico do Cypress Hill e a presença do cacique Raoni Metuktire, que discursou sobre a preservação da Amazônia minutos antes do show de Capaldi.

Em termos de audiência, o Lollapalooza Brasil 2026 registrou um público total de 285 mil pessoas nos três dias de evento, para ver cerca de 70 atrações, sendo 15 delas estreantes. Do total de fãs, 52% eram pessoas vindas de fora do estado de São Paulo. O evento encerrou suas atividades confirmando a modalidade de ingressos LollaLovers para 2027, com início de venda nesta terça (24), às 12h, e exclusiva para clientes do Bradesco.

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Setlist de Tyler, the Creator no Lollapalooza Brasil 2026

  1. Big Poe
  2. St. Chroma
  3. Rah Tah Tah
  4. Noid
  5. Darling, I
  6. Sugar on My Tongue
  7. Ring Ring Ring
  8. Tell Me What It Is
  9. Who Dat Boy
  10. Are We Still Friends?
  11. Best Interest
  12. She
  13. I Thought You Wanted to Dance
  14. Wusyaname
  15. Ifhy
  16. I Think
  17. Earfquake
  18. Tamale
  19. I Hope You Find Your Way Home
  20. Like Him
  21. New Magic Wand
  22. See You Again
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