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Tom Morello homenageia Chris Cornell com ‘Like a Stone’, do Audioslave, no Lolla Chile

Guitarrista fez tributo ao ex-companheiro de banda e tocou riffs do Rage Against the Machine

Guitarrista norte-americano Tom Morello à frente de telão com foto de Chris Cornell (1964-2017) em show no Alternative Stage da 14ª edição do Lollapalooza Chile, no Parque O'Higgins, em Santiago | 13.mar.2025/Divulgação
Guitarrista norte-americano Tom Morello à frente de telão com foto de Chris Cornell (1964-2017) em show no Alternative Stage da 14ª edição do Lollapalooza Chile, no Parque O'Higgins, em Santiago | 13.mar.2025/Divulgação

A homenagem a Chris Cornell (1964-2017) foi um dos pontos altos do show de Tom Morello no Lollapalooza Chile, na noite desta sexta-feira (13). No Alternative Stage do Parque O’Higgins, em Santiago, o guitarrista incluiu no repertório “Like a Stone”, segundo single do disco de estreia do Audioslave, supergrupo que formou com o ex-vocalista do Soundgarden no início dos anos 2000.

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Com os vocais assumidos por um dos músicos de apoio, a canção foi acompanhada em coro pelo público chileno, funcionando como um tributo ao vocalista morto em 2017. A conexão entre os dois artistas nasceu em 2001, quando os ex-integrantes do Rage Against the Machine — Morello, Tim Commerford e Brad Wilk — se uniram a Cornell após a saída de Zack de la Rocha, criando um dos maiores nomes do rock moderno.

O tom político, marca registrada da trajetória de Morello, foi estabelecido antes mesmo de sua entrada. O sistema de som do festival reproduziu “Manifiesto”, canção-testamento do artista chileno Víctor Jara (1932-1973), que silenciou e emocionou a plateia. O guitarrista, que pela manhã visitou os túmulos de Jara e do ex-presidente Salvador Allende (1908-1973), cumpriu a promessa de dedicar toda a sua apresentação à memória do músico local.

Víctor Jara foi um professor, poeta e cantor, figura central do movimento Nueva Canción Chilena e do governo de Allende. Logo após o golpe militar liderado por Augusto Pinochet (1915-2006) em 1973, Jara foi preso e brutalmente torturado. O artista foi fuzilado com dezenas de tiros e seu corpo foi abandonado em uma favela de Santiago, tornando-se um símbolo mundial de resistência contra regimes opressores.

O ativismo de Morello conectou o passado histórico ao cenário atual do país. Com a mensagem “No al fascismo” (“Não ao fascismo”) escrita no verso de sua guitarra Telecaster, o músico incitou o público: “Alguém aqui ama rock and roll e odeia fascistas?”. A resposta foi imediata, com os presentes entoando em coro o grito de protesto “Chúpalo, Kast!” (“Chupa, Kast!”).

A manifestação foi uma reação direta à posse de José Antonio Kast, que assumiu a presidência do Chile em 11 de março de 2026, sucedendo o político de esquerda Gabriel Boric. Kast representa uma guinada à ultradireita no país e, em suas primeiras horas de governo, ordenou a construção de “barreiras físicas” nas fronteiras para combater a imigração irregular, mimetizando táticas de Donald Trump e sendo classificado por opositores como o líder mais extremista desde o fim da ditadura de Pinochet.

Musicalmente, o espetáculo foi sustentado pela destreza técnica de Morello. O guitarrista apresentou um medley instrumental com clássicos do Rage Against the Machine, incluindo “Bombtrack”, “Know Your Enemy”, “Bulls on Parade” e “Guerilla Radio”. Sem vocais no palco nestes momentos, o músico utilizou seu pedal whammy para emular sons de DJs e sintetizadores, técnica que se tornou sua marca registrada.

Guitarrista norte-americano Tom Morello em show no Alternative Stage da 14ª edição do Lollapalooza Chile, no Parque O'Higgins, em Santiago | 13.mar.2026/Divulgação
Guitarrista norte-americano Tom Morello em show no Alternative Stage da 14ª edição do Lollapalooza Chile, no Parque O’Higgins, em Santiago | 13.mar.2026/Divulgação

O repertório também priorizou o catálogo solo recente do artista, com faixas extraídas dos álbuns “Comandante” e “The Atlas Underground”. Durante as passagens instrumentais, Morello demonstrou por que é considerado o 40º melhor guitarrista de todos os tempos pela Rolling Stone, embora a densidade técnica de suas experimentações solo tenha feito parte do público se dispersar em direção aos outros palcos.

O clímax coletivo veio com “Killing in the Name”. Na ausência de Zack de la Rocha, o público assumiu integralmente os vocais da canção, transformando o espaço em uma catarse coletiva. O verso final, “Fuck you, I won’t do what you tell me”, foi gritado como um hino de desobediência civil, reforçando o caráter militante que o guitarrista mantém desde os anos 1990.

O setlist ainda incluiu releituras carregadas de simbolismo social. Morello interpretou “The Ghost of Tom Joad”, composição de Bruce Springsteen, e “Power to the People”, de John Lennon, que também foi dedicada a Víctor Jara. A escolha das músicas reafirmou a ligação do músico com o movimento “Axis of Justice”, ONG que fundou ao lado de Serj Tankian para unir música e justiça social.

Para encerrar a noite, o guitarrista surpreendeu com uma versão pesada de “Rock and Roll All Nite”, clássico do Kiss. Como ato final, enquanto Morello deixava o palco com o punho esquerdo erguido, os alto-falantes tocaram “Venceremos”, hino da Unidade Popular que apoiou Allende, selando a apresentação com uma última mensagem de resistência política.

A performance de Tom Morello foi uma exclusividade da edição chilena do festival, que ocorre até domingo (15) e compartilha atrações como Sabrina Carpenter, Deftones, Tyler, The Creator e Lorde com os vizinhos. O guitarrista americano não se apresentará nas edições da Argentina, que ocorre simultaneamente neste fim de semana em Buenos Aires, nem na brasileira.

O Lollapalooza Brasil está marcado para os dias 20, 21 e 22 de março, no autódromo de Interlagos, em São Paulo. Sem a presença de Morello, a escalação brasileira segue com foco nos headliners globais e em uma variada lista de artistas nacionais, consolidando o circuito sul-americano da franquia em 2026.

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