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Tom Morello encerra show no Lollapalooza Chile com ‘Rock and Roll All Nite’, do Kiss

Apresentação no festival em Santiago foi marcada por ativismo político e homenagens a Chris Cornell e Víctor Jara

Guitarrista norte-americano Tom Morello em show no Alternative Stage da 14ª edição do Lollapalooza Chile, no Parque O'Higgins, em Santiago | 13.mar.2025/Divulgação
Guitarrista norte-americano Tom Morello em show no Alternative Stage da 14ª edição do Lollapalooza Chile, no Parque O'Higgins, em Santiago | 13.mar.2025/Divulgação

Uma versão pesada de “Rock and Roll All Nite”, clássico do Kiss, foi a escolha de Tom Morello para fechar sua apresentação no palco Alternative do Lollapalooza Chile, nesta sexta-feira (13). O show no Parque O’Higgins foi carregado de ativismo político e momentos de emoção, como a homenagem ao ex-parceiro de Audioslave, Chris Cornell, e críticas ao presidente de ultradireita do país, José Antonio Kast.

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Um dos momentos mais tocantes da noite ocorreu quando a banda de apoio tocou “Like a Stone”, clássico do Audioslave. Com os vocais assumidos por um dos músicos do grupo, a canção foi acompanhada em coro pelo público em Santiago, funcionando como um tributo ao icônico vocalista Chris Cornell (1964-2017). A conexão entre Morello e Cornell, que formaram um dos maiores supergrupos dos anos 2000, foi o ponto alto de sensibilidade em meio ao peso das guitarras.

O tom político, marca registrada da trajetória de Morello, foi estabelecido antes mesmo de sua entrada oficial. O sistema de som do festival reproduziu “Manifiesto”, canção-testamento do artista chileno Víctor Jara (1932-1973), que silenciou e emocionou a plateia. O guitarrista, que pela manhã visitou os túmulos de Jara e do ex-presidente Salvador Allende (1908-1973), cumpriu a promessa de dedicar toda a sua apresentação à memória do músico local.

Jara foi um professor, poeta e cantor, figura central do movimento Nueva Canción Chilena e do governo de Allende. Logo após o golpe militar liderado por Augusto Pinochet (1915-2006) em 1973, Jara foi preso e brutalmente torturado. O artista foi fuzilado com dezenas de tiros e seu corpo foi abandonado em uma favela de Santiago, tornando-se um símbolo mundial de resistência.

O ativismo de Morello conectou o passado histórico ao cenário atual do país. Com a mensagem “No al fascismo” (“Não ao fascismo”) escrita no verso de sua guitarra, ele incitou o público: “Alguém aqui ama rock and roll e odeia fascistas?”. A resposta foi imediata, com os presentes entoando em coro o grito de protesto “Chúpalo, Kast!” (“Chupa, Kast!”).

A manifestação é uma reação direta à posse de José Antonio Kast, que assumiu a presidência do Chile em 11 de março de 2026, sucedendo o político de esquerda Gabriel Boric. Kast representa uma guinada à ultradireita no país e, em suas primeiras horas de governo, ordenou a construção de “barreiras físicas” nas fronteiras para combater a imigração irregular, mimetizando táticas de Donald Trump e sendo classificado por opositores como o líder mais extremista desde o fim da ditadura de Pinochet.

Musicalmente, o espetáculo foi sustentado pela destreza técnica de Morello. O guitarrista apresentou um medley instrumental com clássicos do Rage Against the Machine, incluindo “Bombtrack”, “Know Your Enemy”, “Bulls on Parade” e “Guerilla Radio”. Sem vocais no palco, o músico utilizou seu pedal whammy para emular sons de DJs e sintetizadores, técnica que revolucionou o uso da guitarra no rock moderno.

Guitarrista norte-americano Tom Morello em show no Alternative Stage da 14ª edição do Lollapalooza Chile, no Parque O'Higgins, em Santiago | 13.mar.2025/Divulgação
Guitarrista norte-americano Tom Morello em show no Alternative Stage da 14ª edição do Lollapalooza Chile, no Parque O’Higgins, em Santiago | 13.mar.2025/Divulgação

O repertório também priorizou o catálogo solo recente do artista, com faixas extraídas dos álbuns “Comandante” e “The Atlas Underground”. Durante as passagens instrumentais mais longas, Morello demonstrou por que é considerado um dos guitarristas mais inovadores da história, embora a densidade técnica tenha feito parte do público se dispersar em direção aos palcos principais.

O clímax coletivo veio com “Killing in the Name”. Na ausência de Zack de la Rocha, o público assumiu integralmente os vocais da canção, transformando o local em um espaço de catarse. O verso final, “Fuck you, I won’t do what you tell me”, foi gritado como um hino de desobediência civil, reforçando o caráter militante que o guitarrista mantém desde os anos 1990.

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O setlist ainda incluiu releituras carregadas de simbolismo social. Morello interpretou “The Ghost of Tom Joad”, composição de Bruce Springsteen, e “Power to the People”, de John Lennon, que também foi dedicada a Víctor Jara. A escolha das músicas reafirmou a ligação de Morello com o movimento “Axis of Justice”, ONG que fundou para unir música e justiça social.

Como ato final, enquanto o guitarrista deixava o palco com o punho esquerdo erguido, os alto-falantes tocaram “Venceremos”, hino da Unidade Popular que apoiou Allende, selando a apresentação com uma última mensagem de resistência política.

A performance de Tom Morello é uma exclusividade da edição chilena do Lollapalooza, que ocorre até domingo (15) e compartilha headliners como Sabrina Carpenter, Deftones, Tyler, The Creator e Lorde com os vizinhos Argentina, que abriga o festival também neste fim de semana, e Brasil, onde o evento desembarca de 20 a 22 de março, no autódromo de Interlagos, em São Paulo.

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