Sabrina Carpenter encerrou a primeira noite da 13ª edição do Lollapalooza Brasil com uma performance que marcou sua estreia como atração principal no país. Nesta sexta-feira (20), no palco Budweiser, a artista norte-americana transformou o autódromo de Interlagos em um cenário de televisão retrô, apresentando um show visualmente elaborado para uma multidão que a acompanhou durante quase uma hora e meia.
A estética da apresentação foi fundamentada no conceito de um programa de auditório de décadas passadas, com telões que simulavam transmissões de telejornais antigos sob a marca “SC News”. Sabrina surgiu no palco após um prelúdio visual, utilizando figurinos que evocavam o estilo clássico de meados do século passado, enquanto passarelas e diferentes níveis de cenário permitiam que a cantora explorasse a estrutura montada para o festival.
Um dos momentos de maior repercussão nas redes sociais ocorreu durante a faixa “Juno”. Seguindo o roteiro de sua turnê atual, Sabrina encenou a “prisão” de uma celebridade presente na plateia por estar “gostosa demais”. No Brasil, a escolhida foi a cantora Luísa Sonza, que apareceu no telão sendo algemada com adereços rosa de pelúcia. A aparição da brasileira dividiu o público, gerando um misto de vaias e aplausos que ecoou pelo gramado.
Essa dinâmica já se tornou uma marca das performances de Sabrina pelo mundo, funcionando como um alívio cômico e teatral. Em passagens recentes, ela já realizou a mesma interação com a argentina Maria Becerra e a DJ Horsegiirl no Chile, além de ter feito o mesmo com Chappell Roan em shows nos Estados Unidos. O roteiro é uma extensão das letras de seu repertório recente, que prioriza o sarcasmo e a autoconfiança.
Embora tenha apenas 26 anos, a trajetória de Sabrina até o topo do lineup em Interlagos foi construída ao longo de uma década. A ex-estrela mirim da Disney, que começou postando covers no YouTube, precisou de cinco álbuns de estúdio até atingir o sucesso global de “Espresso” e “Please Please Please”, faixas que dominaram as paradas entre 2024 e 2025.
O show marcou o reencontro da artista com os brasileiros em uma fase de alta popularidade. Desde 2017, Sabrina esteve no país em quatro ocasiões, incluindo aberturas para Ariana Grande e para Taylor Swift em 2023. No entanto, foi nesta edição do festival que ela se apresentou, pela primeira vez, como a atração principal absoluta de uma noite, demonstrando maturidade cênica e domínio de palco diante de um público numeroso.
Musicalmente, o setlist foi centrado nos discos “Short n’ Sweet” e “Man’s Best Friend”, trabalhos que renderam à cantora suas primeiras estatuetas do Grammy. A sonoridade apresentada transitou entre o pop sintetizado dos anos 1980 e incursões pelo country em faixas como “Slim Pickins”, demonstrando uma versatilidade vocal que foi do tom debochado de “Taste” à técnica exigida em baladas como “Nobody’s Son”.
A interação com os fãs foi constante e carismática. Sabrina brincou que o público brasileiro era “muito distrativo” devido à energia vinda da grade e tentou entender palavras em português gritadas pela plateia. Enquanto ostentava uma bandeira do país personalizada, ela conduziu o engajamento dos fãs mesmo nos segmentos mais lentos da apresentação, como o bloco acústico onde tocou “Never Getting Laid”.
Em termos de produção, o espetáculo foi um dos mais complexos tecnicamente deste primeiro dia de festival. O uso de vídeos pré-gravados que simulavam comerciais vintage, como um spray que “repele homens imaturos”, servia como transição para as trocas de figurino. A narrativa visual foi calculada para criar uma piada interna constante com a audiência, reforçando a persona de popstar que a artista consolidou recentemente.
O encerramento com o hit “Espresso”, acompanhado por uma queima de fogos, selou a atmosfera da noite. A música, que se tornou onipresente em plataformas digitais ao redor do mundo, foi o ponto de maior participação popular, fechando o show com a energia elevada e reafirmando o amadurecimento artístico de Sabrina, que ocupou com facilidade o posto de headliner da noite de abertura.
Lollapalooza 2026: veja fotos da 13 edição do festival no Brasil
Rapper norte-americana Doechii em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Rapper norte-americana Doechii em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Rapper norte-americana Doechii em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Cantora norte-americana Sabrina Carpenter em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | Amon Borges - 20.mar.2026/Portal Lineup
Cantor baiano de reggae Edson Gomes em show no palco Flying Fish, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Cantor baiano de reggae Edson Gomes em show no palco Flying Fish, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
DJ norte-americano DJ Diesel, alter ego do ex-jogador da NBA Shaquille O'Neal, em show no palco Perry's by Fiat, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
DJ norte-americano DJ Diesel, alter ego do ex-jogador da NBA Shaquille O'Neal, em show no palco Perry's by Fiat, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
DJ norte-americano DJ Diesel, alter ego do ex-jogador da NBA Shaquille O'Neal, em show no palco Perry's by Fiat, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
DJ norte-americano DJ Diesel, alter ego do ex-jogador da NBA Shaquille O'Neal, em show no palco Perry's by Fiat, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
DJ norte-americano DJ Diesel, alter ego do ex-jogador da NBA Shaquille O'Neal, em show no palco Perry's by Fiat, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Rapper paulistana Negra Li (centro) em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Rapper paulistana Negra Li (centro) em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Rapper paulistana Negra Li (centro) em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Vocalista Paul Banks em show da banda norte-americana Interpol no palco Samsung Galaxy, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Vocalista Chino Moreno em show da banda californiana Deftones no palco Samsung Galaxy, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Vocalista Paul Banks em show da banda norte-americana Interpol no palco Samsung Galaxy, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Rapper paulista Stefanie em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Rapper paulista Stefanie em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação





















A noite coroou um dia marcado pela diversidade sonora em Interlagos. Antes do pop dominar o palco principal, o festival abriu caminhos para o rap de Negra Li e a estreia de Doechii. O rock também teve seu espaço garantido com as apresentações densas de Deftones e Interpol no palco Samsung Galaxy.
A programação continua neste sábado (21), trazendo nomes como Chappell Roan e o produtor Skrillex. O segundo dia de atividades também contará com o retorno de Lewis Capaldi ao país e os shows de Cypress Hill, Turnstile e King Gizzard & the Lizard Wizard, mantendo a rotatividade de gêneros que é característica do festival na zona sul de São Paulo.
No domingo (22), o encerramento desta edição fica sob a responsabilidade de Lorde e Tyler, the Creator. O lineup do último dia ainda reserva espaço para a música alternativa do Fontaines D.C., o pop de Marina Sena e o indie de BadBadNotGood, fechando o ciclo de três dias de música intensa no autódromo.
Ao fim da apresentação, a sensação deixada por Sabrina Carpenter foi a de um espetáculo executado com precisão. A cantora provou que sua ascensão não foi fruto apenas de virais, mas de um preparo que agora a coloca no mesmo patamar das principais artistas do gênero, capazes de comandar um festival do porte do Lollapalooza com autoridade e carisma diante de uma multidão.
Setlist de Sabrina Carpenter no Lollapalooza 2026
- Busy Woman
- Taste
- Good Graces
- Slim Pickins
- Manchild
- Coincidence
- Never Getting Laid (Acoustic)
- Because I Liked a Boy
- House Tour
- Tears
- Feather
- Nobody’s Son
- Bed Chem
- Juno
- Please Please Please
- Don’t Smile
- Espresso



