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Oruã honra tradição da psicodelia brasileira em show para fãs de k-pop no Lollapalooza

Banda carioca apostou em repetição e improviso e construiu apresentação imersiva no autódromo de Interlagos

Sintetizador João Casaes, baixista Bigu Medine, baterista Ana Zumpano e vocalista e guitarrista Lê Almeida (da esq. p/ dir.) em show da banda carioca Oruã no palco Flying Fish, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 22.mar.2026/Divulgação
Sintetizador João Casaes, baixista Bigu Medine, baterista Ana Zumpano e vocalista e guitarrista Lê Almeida (da esq. p/ dir.) em show da banda carioca Oruã no palco Flying Fish, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 22.mar.2026/Divulgação

A banda carioca Oruã apresentou seu rock psicodélico e denso no palco Flying Fish do Lollapalooza Brasil neste domingo (22). O show foi marcado por um contraste curioso: a proposta imersiva do grupo para uma plateia formada majoritariamente por fãs que aguardavam a banda de k-pop Katseye, última atração naquele espaço no terceiro e último dia do evento.

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A recepção não foi das mais calorosas, com muitos sentados, usando o celular e conversando. Mesmo assim, houve quem apreciasse a proposta sonora do grupo, e os integrantes no palco pareciam se divertir com a situação.

O quarteto formado por Lê Almeida (guitarra e voz), João Casaes (sintetizadores), Bigu Medine (baixo) e Ana Zumpano (bateria) está na ativa desde 2016 e já tem cinco álbuns lançados, com uma carreira que tem ganhado destaque no circuito internacional.

Sua trajetória se insere em uma rica tradição psicodélica brasileira que remonta ao fim dos anos 1960, com a Tropicália e nomes como Os Mutantes, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa. Mais recentemente, bandas como Boogarins e Bike também mantêm essa circulação fora do país.

No Lollapalooza, Oruã construiu a apresentação de forma progressiva. A abertura com “Deus Dará” e “Disciplina” funcionou como uma introdução ao universo sonoro da banda, antes de “Obrei-Orei” começar a expandir a dinâmica do show.

Com “Casual”, “Marejar” e “Escola Construtivista”, a banda consolidou sua proposta no palco. Guitarras carregadas de efeitos e linhas repetitivas formaram uma base densa, sobre a qual os arranjos se desenvolveram sem pressa.

“Vitin”, “Cachoeira” e “Real Grandeza” levaram esse movimento adiante, com passagens mais atmosféricas que reforçaram o caráter hipnótico da apresentação. No palco, a comunicação foi mínima, e a condução do show se deu quase exclusivamente pela música.

“Que tarde, linda”, disse Lê Almeida em determinado momento, enquanto as salvas de leques da plateia tiravam risos dos rostos dos integrantes entre as músicas.

Na reta final, “Brutos Amores” aliviou um pouco a densidade do som, preparando o terreno para uma bem-humorada interação com o público. “Hoje é o dia do nosso episódio em Acapulco”, disse o guitarrista em referência ao seriado “Chaves”.

“Caboclo” funcionou como transição para os últimos momentos do set, que culminaram em “De Se Envolver”, com participação do cantor Caxtrinho, de Belford Roxo (RJ), e a imagem da vereadora Marielle Franco, morta em 2018, no telão. O encerramento veio com “México Suite”, uma faixa longa e aberta, guiada por repetição e muito barulho.

Sem recorrer a grandes recursos visuais, a banda Oruã fez um show sustentado na própria lógica sonora, oferecendo uma experiência diferente em um festival marcado por apresentações de impacto mais imediato.

A noite de encerramento do festival teve como grande atração o rapper norte-americano Tyler, the Creator, em sua aguardada estreia solo no Brasil. O domingo ainda conta com os shows da neozelandesa Lorde, da DJ sul-coreana Peggy Gou e da banda de hardcore Turnstile.

O evento começou na sexta-feira (20) com as apresentações de Deftones e Sabrina Carpenter. Já o sábado (21) foi marcado pelos shows de Chappell Roan, Lewis Capaldi e do produtor Skrillex.

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