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Lorde faz de show no Lollapalooza espaço de confidências e memórias

Neozelandesa encerrou programação do palco Samsung Galaxy catarse e a crueza do novo álbum ‘Virgin’

Cantora neozelandesa Lorde em show no palco Samsung Galaxy, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 22.mar.2026/Divulgação
Cantora neozelandesa Lorde em show no palco Samsung Galaxy, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 22.mar.2026/Divulgação

Doze anos depois de pisar pela primeira vez em Interlagos como uma promessa adolescente, Lorde retornou ao Lollapalooza Brasil na noite deste domingo (22). No encerramento do palco Samsung Galaxy, a artista neozelandesa apresentou a faceta mais crua e autêntica de sua carreira, transformando o gramado em um espaço de confidências pautado pelo álbum “Virgin”.

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A apresentação começou sob uma penumbra enigmática. Ao som de “Hammer”, Lorde surgiu usando óculos que emitiam luzes, criando uma imagem que flutuava entre o humano e o maquinal. A letra, que questiona as sensações do próprio corpo e a fluidez de gênero — “alguns dias sou uma mulher, alguns dias sou um homem” —, deu o tom de uma performance que priorizou a narrativa visual sobre grandes efeitos de pirotecnia.

O conceito da “Ultrasound Tour” é uma extensão direta de seu trabalho de estúdio mais recente. Com a capa do disco estampada por um raio-X de sua própria pélvis, Lorde trouxe para o palco discussões sobre transtornos alimentares e a busca por identidade. Esse mergulho na biologia e na psique marcou um distanciamento nítido da estética solar e psicodélica que a cantora apresentou em sua última passagem pelo país, em 2022.

 

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A dinâmica do show fugiu do óbvio das turnês pop tradicionais. Em “Supercut”, a cantora utilizou uma esteira para simbolizar a urgência e o cansaço de uma busca emocional incessante, enquanto em “Buzzcut Season” cantou de frente para um ventilador industrial, criando uma atmosfera de isolamento. O cenário minimalista, ocupado pontualmente por dois dançarinos, permitiu que a expressividade corporal de Lorde fosse o centro das atenções no autódromo de Interlagos.

Um dos momentos de maior entrega física ocorreu durante “Current Affairs”, quando a artista se despiu parcialmente no palco, revelando uma cueca sob a calça jeans. O gesto, somado ao ato de rasgar a própria blusa em “Liability”, funcionou como uma tradução literal das letras confessionais de “Virgin”. Para o público paulista, a mensagem foi clara: Lorde não estava ali para performar perfeição, mas para expor as dores de amadurecer diante das câmeras.

O repertório conseguiu equilibrar a densidade das músicas novas com o legado que a consagrou. “Royals”, o hit que mudou o curso do pop alternativo em 2013, apareceu logo no início, cantado por uma multidão que preencheu todos os espaços do palco secundário. Já “Green Light” e “Team” serviram como pontos de catarse coletiva, provando que as batidas eletrônicas e os sintetizadores de seus primeiros discos continuam atuais.

Durante uma pausa estratégica, a cantora compartilhou uma reflexão sobre o tempo e o amadurecimento diante dos olhos do público. “Eu tenho 29 anos agora. Eu sou a irmã mais velha. Eu era o bebezinho e agora sou a irmã mais velha”, disse ela, referindo-se à sua estreia no festival em 2014. Naquela época, com apenas 17 anos, ela subia ao palco de Interlagos pela primeira vez para apresentar o fenômeno “Pure Heroine”.

“O que é tão legal é que vocês cresceram ao meu lado. Nós passamos pelas mesmas fases e fizemos as mesmas merdas. Já fomos muito, muito feios e muito, muito atraentes”, completou a artista. A fala de Lorde reforçou o laço geracional com os fãs que, assim como ela, deixaram a adolescência para trás e agora enfrentam as complexidades da vida adulta, herdando “o mesmo mundo”.

Esta foi a quarta visita da neozelandesa ao Brasil, uma para cada era de sua discografia. Embora tenha focado intensamente em “Virgin” e resgatado pérolas de “Pure Heroine” e “Melodrama”, a cantora optou por ignorar completamente as faixas de seu disco de 2021, sinalizando que sua fase atual prefere a crueza dos sintetizadores à leveza acústica do trabalho anterior.

O trunfo da apresentação não residiu em exibições de alcance vocal, mas na precisão com que Lorde traduz sentimentos complexos em ritmo. Sua voz grave e característica conduziu momentos minimalistas como “Man of the Year” e “David”, em que o instrumental recuava para dar lugar ao texto. É essa habilidade de cronista que a mantém como uma das vozes mais influentes de sua safra, mesmo em shows que desafiam o padrão comercial.

Para o encerramento, a artista desceu para um pequeno palco montado no meio da plateia para cantar “Ribs”. A canção, que fala sobre o medo de envelhecer, ganhou um novo significado ao ser entoada por uma mulher de 29 anos cercada por jovens que batiam leques em sincronia. O coro final foi a maior celebração de juventude do festival, encerrando o palco Samsung Galaxy com copos de cerveja pelo ar e uma catarse genuína.

O domingo de encerramento também contou com a energia do hardcore do Turnstile no palco principal, além das apresentações nacionais de Mundo Livre S/A e Oruã. O festival foi selado pela estreia solo de Tyler, the Creator, que assumiu o posto de headliner após performances de Lorde e Djo.

A 13ª edição do Lollapalooza Brasil começou na sexta-feira (20) com o rock do Deftones e o pop de Sabrina Carpenter. No sábado (21), os destaques ficaram para o fenômeno Chappell Roan, o retorno de Lewis Capaldi e o set eletrônico de Skrillex, consolidando um fim de semana de diversidade rítmica e público de 285 mil pessoas no autódromo, segundo a organização.

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Setlist de Lorde no Lollapalooza Brasil 2026

  1. Hammer
  2. Royals
  3. Broken Glass
  4. Buzzcut Season
  5. Favourite Daughter
  6. Perfect Places
  7. Shapeshifter
  8. Current Affairs
  9. Supercut
  10. The Louvre
  11. Liability
  12. Man of the Year
  13. If She Could See Me Now
  14. Team
  15. What Was That
  16. Green Light
  17. David
  18. Ribs
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