Doze anos depois de pisar pela primeira vez em Interlagos como uma promessa adolescente, Lorde retornou ao Lollapalooza Brasil na noite deste domingo (22). No encerramento do palco Samsung Galaxy, a artista neozelandesa apresentou a faceta mais crua e autêntica de sua carreira, transformando o gramado em um espaço de confidências pautado pelo álbum “Virgin”.
A apresentação começou sob uma penumbra enigmática. Ao som de “Hammer”, Lorde surgiu usando óculos que emitiam luzes, criando uma imagem que flutuava entre o humano e o maquinal. A letra, que questiona as sensações do próprio corpo e a fluidez de gênero — “alguns dias sou uma mulher, alguns dias sou um homem” —, deu o tom de uma performance que priorizou a narrativa visual sobre grandes efeitos de pirotecnia.
O conceito da “Ultrasound Tour” é uma extensão direta de seu trabalho de estúdio mais recente. Com a capa do disco estampada por um raio-X de sua própria pélvis, Lorde trouxe para o palco discussões sobre transtornos alimentares e a busca por identidade. Esse mergulho na biologia e na psique marcou um distanciamento nítido da estética solar e psicodélica que a cantora apresentou em sua última passagem pelo país, em 2022.
A dinâmica do show fugiu do óbvio das turnês pop tradicionais. Em “Supercut”, a cantora utilizou uma esteira para simbolizar a urgência e o cansaço de uma busca emocional incessante, enquanto em “Buzzcut Season” cantou de frente para um ventilador industrial, criando uma atmosfera de isolamento. O cenário minimalista, ocupado pontualmente por dois dançarinos, permitiu que a expressividade corporal de Lorde fosse o centro das atenções no autódromo de Interlagos.
Um dos momentos de maior entrega física ocorreu durante “Current Affairs”, quando a artista se despiu parcialmente no palco, revelando uma cueca sob a calça jeans. O gesto, somado ao ato de rasgar a própria blusa em “Liability”, funcionou como uma tradução literal das letras confessionais de “Virgin”. Para o público paulista, a mensagem foi clara: Lorde não estava ali para performar perfeição, mas para expor as dores de amadurecer diante das câmeras.
O repertório conseguiu equilibrar a densidade das músicas novas com o legado que a consagrou. “Royals”, o hit que mudou o curso do pop alternativo em 2013, apareceu logo no início, cantado por uma multidão que preencheu todos os espaços do palco secundário. Já “Green Light” e “Team” serviram como pontos de catarse coletiva, provando que as batidas eletrônicas e os sintetizadores de seus primeiros discos continuam atuais.
Durante uma pausa estratégica, a cantora compartilhou uma reflexão sobre o tempo e o amadurecimento diante dos olhos do público. “Eu tenho 29 anos agora. Eu sou a irmã mais velha. Eu era o bebezinho e agora sou a irmã mais velha”, disse ela, referindo-se à sua estreia no festival em 2014. Naquela época, com apenas 17 anos, ela subia ao palco de Interlagos pela primeira vez para apresentar o fenômeno “Pure Heroine”.
Lollapalooza 2026: veja fotos da 13 edição do festival no Brasil
Cantora norte-americana Chappell Roan em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
Cantora norte-americana Chappell Roan em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
Cantora norte-americana Chappell Roan em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
Cantora norte-americana Chappell Roan em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
Cantora norte-americana Chappell Roan em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
Cantora norte-americana Chappell Roan em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
Cantora norte-americana Chappell Roan em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
Cantora norte-americana Chappell Roan em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
Rapper norte-americano B-Real em show do grupo Cypress Hill no palco Samsung Galaxy, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
Rapper norte-americano B-Real em show do grupo Cypress Hill no palco Samsung Galaxy, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
DJ Lord em show do grupo Cypress Hill no palco Samsung Galaxy, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
Rapper norte-americano Sen Dog em show do grupo Cypress Hill no palco Samsung Galaxy, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
DJ Lord em show do grupo Cypress Hill no palco Samsung Galaxy, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
Rapper norte-americano Sen Dog em show do grupo Cypress Hill no palco Samsung Galaxy, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
Cantor escocês Lewis Capaldi em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
Cantor escocês Lewis Capaldi em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
Cantora galesa Marina em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
Cantora galesa Marina em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
Cantora galesa Marina em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
Cantora baiana Agnes Nunes em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
Cantora baiana Agnes Nunes em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
Cantora baiana Agnes Nunes em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
Rapper norte-americana Doechii em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Rapper norte-americana Doechii em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Rapper norte-americana Doechii em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Cantora norte-americana Sabrina Carpenter em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | Amon Borges - 20.mar.2026/Portal Lineup
Cantor baiano de reggae Edson Gomes em show no palco Flying Fish, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Cantor baiano de reggae Edson Gomes em show no palco Flying Fish, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
DJ norte-americano DJ Diesel, alter ego do ex-jogador da NBA Shaquille O'Neal, em show no palco Perry's by Fiat, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
DJ norte-americano DJ Diesel, alter ego do ex-jogador da NBA Shaquille O'Neal, em show no palco Perry's by Fiat, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
DJ norte-americano DJ Diesel, alter ego do ex-jogador da NBA Shaquille O'Neal, em show no palco Perry's by Fiat, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
DJ norte-americano DJ Diesel, alter ego do ex-jogador da NBA Shaquille O'Neal, em show no palco Perry's by Fiat, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
DJ norte-americano DJ Diesel, alter ego do ex-jogador da NBA Shaquille O'Neal, em show no palco Perry's by Fiat, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Rapper paulistana Negra Li (centro) em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Rapper paulistana Negra Li (centro) em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Rapper paulistana Negra Li (centro) em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Vocalista Paul Banks em show da banda norte-americana Interpol no palco Samsung Galaxy, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Vocalista Chino Moreno em show da banda californiana Deftones no palco Samsung Galaxy, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Vocalista Paul Banks em show da banda norte-americana Interpol no palco Samsung Galaxy, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Rapper paulista Stefanie em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Rapper paulista Stefanie em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação











































“O que é tão legal é que vocês cresceram ao meu lado. Nós passamos pelas mesmas fases e fizemos as mesmas merdas. Já fomos muito, muito feios e muito, muito atraentes”, completou a artista. A fala de Lorde reforçou o laço geracional com os fãs que, assim como ela, deixaram a adolescência para trás e agora enfrentam as complexidades da vida adulta, herdando “o mesmo mundo”.
Esta foi a quarta visita da neozelandesa ao Brasil, uma para cada era de sua discografia. Embora tenha focado intensamente em “Virgin” e resgatado pérolas de “Pure Heroine” e “Melodrama”, a cantora optou por ignorar completamente as faixas de seu disco de 2021, sinalizando que sua fase atual prefere a crueza dos sintetizadores à leveza acústica do trabalho anterior.
O trunfo da apresentação não residiu em exibições de alcance vocal, mas na precisão com que Lorde traduz sentimentos complexos em ritmo. Sua voz grave e característica conduziu momentos minimalistas como “Man of the Year” e “David”, em que o instrumental recuava para dar lugar ao texto. É essa habilidade de cronista que a mantém como uma das vozes mais influentes de sua safra, mesmo em shows que desafiam o padrão comercial.
Para o encerramento, a artista desceu para um pequeno palco montado no meio da plateia para cantar “Ribs”. A canção, que fala sobre o medo de envelhecer, ganhou um novo significado ao ser entoada por uma mulher de 29 anos cercada por jovens que batiam leques em sincronia. O coro final foi a maior celebração de juventude do festival, encerrando o palco Samsung Galaxy com copos de cerveja pelo ar e uma catarse genuína.
O domingo de encerramento também contou com a energia do hardcore do Turnstile no palco principal, além das apresentações nacionais de Mundo Livre S/A e Oruã. O festival foi selado pela estreia solo de Tyler, the Creator, que assumiu o posto de headliner após performances de Lorde e Djo.
A 13ª edição do Lollapalooza Brasil começou na sexta-feira (20) com o rock do Deftones e o pop de Sabrina Carpenter. No sábado (21), os destaques ficaram para o fenômeno Chappell Roan, o retorno de Lewis Capaldi e o set eletrônico de Skrillex, consolidando um fim de semana de diversidade rítmica e público de 285 mil pessoas no autódromo, segundo a organização.
Setlist de Lorde no Lollapalooza Brasil 2026
- Hammer
- Royals
- Broken Glass
- Buzzcut Season
- Favourite Daughter
- Perfect Places
- Shapeshifter
- Current Affairs
- Supercut
- The Louvre
- Liability
- Man of the Year
- If She Could See Me Now
- Team
- What Was That
- Green Light
- David
- Ribs



