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Doechii une batidas de funk a rap afiado no Lollapalooza em show de estreia no Brasil

Vencedora do Grammy celebrou vinda ao país com 45 minutos em cena e performance coreografada em SP

Rapper norte-americana Doechii em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Rapper norte-americana Doechii em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação

Doechii concretizou sua primeira apresentação em solo brasileiro na noite desta sexta-feira (20), ocupando o palco Budweiser durante a abertura da 13ª edição do Lollapalooza Brasil. A rapper norte-americana, que subiu ao palco pouco após o pôr do sol, apresentou um espetáculo de 45 minutos que aliou a crueza das rimas da Flórida a uma composição cênica sofisticada no autódromo de Interlagos.

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O envolvimento com a sonoridade brasileira foi um dos pilares da apresentação, ficando evidente quando a rapper inseriu batidas de funk carioca em seu set. Antes da faixa “Alter Ego”, samples de clássicos como “Tira e Bota”, da Furacão 2000, ecoaram pelo gramado de Interlagos. A resposta do público foi imediata, criando uma percussão visual e sonora com os milhares de leques que batiam em sincronia a cada comando da artista, que arriscou um “Brasil! E aí?” em português.

A performance física foi outro destaque central, com Doechii e seu corpo de baile executando coreografias complexas e sincronizadas durante todo o tempo. A precisão dos movimentos, que mesclavam dança contemporânea e atitude das pistas, manteve o fôlego da apresentação em alta, provando que a artista domina a fusão entre música e expressão corporal. O show foi estruturado para manter uma intensidade constante, sem pausas para o público descansar.

Aos 27 anos, a artista norte-americana vive o auge de sua visibilidade global. Recentemente, Doechii consolidou seu espaço na prateleira de elite da música ao vencer o Grammy de melhor álbum de rap em 2025 com a mixtape “Alligator Bites Never Heal”. O reconhecimento da Academia serviu como um cartão de visitas para o público paulistano, que acompanhou de perto a técnica vocal e os flows variados da nova estrela do hip-hop.

Rapper norte-americana Doechii em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação
Rapper norte-americana Doechii em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 20.mar.2026/Divulgação

A vinda ao Brasil teve um caráter de reparação para os fãs que acompanham sua trajetória. Após dois cancelamentos em 2024, incluindo a ausência no Afropunk, a presença da rapper era um dos compromissos mais celebrados desta edição. Doechii demonstrou ter estudado a audiência local, mergulhando na cultura da cidade antes mesmo de pisar no festival.

Na noite anterior ao show, a rapper foi vista na festa Batekoo, no centro de São Paulo, onde interagiu com expoentes do gênero no país, como Ebony e Duquesa. Essa aproximação com a cena urbana brasileira transpareceu no palco, onde a cantora pareceu à vontade para conduzir uma narrativa que ia além da execução de canções, funcionando como a anfitriã de uma experiência mística e urbana para as dezenas de milhares de presentes.

A estética do palco foi um dos diferenciais da apresentação, fugindo das estruturas convencionais do hip-hop de arena. Com a utilização de tapetes, abajures e cortinas, Doechii criou um ambiente que remetia a um ritual íntimo. Essa cenografia serviu de suporte para a presença constante da personagem “Mr. Chi Chi Tarot”, uma cartomante cujas aparições nos telões guiavam a transição entre os blocos da performance.

Musicalmente, o show foi aberto com “Girl, Get Up”, parceria com SZA, estabelecendo de imediato o tom de entrega que marcaria o set. Doechii manteve o fôlego impecável em faixas como “Persuasive” e “Boiled Peanuts”, demonstrando domínio das variações de ritmo. A alternância entre o melódico e o agressivo prendeu a atenção da plateia em cada verso, reforçando a complexidade de sua produção atual.

Canções como “Anxiety” e “Nissan Altima” demonstraram a força da artista nas redes sociais e plataformas de vídeo, sendo recebidas com coros volumosos. A primeira, que utiliza o sample de Gotye, já possuía uma conexão prévia com a audiência brasileira por sua onipresença em conteúdos digitais. No palco, a faixa ganhou uma nova dimensão através da interpretação de Doechii, que ocupou todo o espaço disponível no palco Budweiser.

A sequência formada por “Spookie Coochie” e “Catfish” explorou o lado mais ácido de suas letras, abordando temas de empoderamento e vivências da indústria com ironia. A narrativa do espetáculo, costurada pelas inserções de vídeo, permitiu que a artista trocasse de figurinos — surgindo com estéticas que remetiam a figuras ciganas — sem perder a fluidez do roteiro, que manteve a plateia engajada do início ao fim.

O momento que antecedeu o encerramento do set principal foi dedicado a “Denial Is a River”. A música, que se tornou um marco em sua carreira após a performance no Tiny Desk, serviu para consolidar sua autoridade vocal e presença de palco. Foi o instante em que a rapper mais se conectou visualmente com os fãs, permitindo que a instrumentação ganhasse corpo antes de se despedir pela primeira vez do público paulistano.

Para o bis, a escolha foi “What It Is”, seu maior sucesso comercial, que trouxe uma atmosfera de celebração para o fechamento. Antes de deixar o palco, Doechii fez questão de reforçar o vínculo criado com o país através de uma frase curta e direta: “Não se esqueça de mim. Te amo”. O recado foi assimilado por uma plateia que permaneceu vibrante mesmo após o término da última música.

A performance de Doechii pavimentou o caminho para o restante da noite de sexta-feira, que ainda contou com o encerramento pop de Sabrina Carpenter. O primeiro dia da 13ª edição também foi marcado pela apresentação de Deftones e Interpol, além da histórica celebração de 30 anos de carreira de Negra Li e o reggae de Edson Gomes.

A programação do festival continua neste sábado (21), com o fenômeno Chappell Roan e o set eletrônico de Skrillex como destaques do lineup. No domingo (22), o encerramento ocorre com os shows de Lorde e Tyler, the creator, fechando o ciclo de três dias de música intensa no autódromo.

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Setlist da Doechii no Lollapalooza 2026

  1. Girl, Get Up
  2. Alter Ego
  3. Persuasive
  4. Boiled Peanuts
  5. Bullfrog
  6. Spookie Coochie
  7. Nosebleeds
  8. Crazy
  9. Anxiety
  10. Stressed
  11. Nissan Altima
  12. America Has a Problem (Freestyle)
  13. Swamp Bitches
  14. Catfish
  15. Denial Is a River
  16. What It Is

 

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