O Cypress Hill trouxe sua mistura característica de hip-hop e peso para a 13ª edição do Lollapalooza Brasil neste sábado (21). No palco Samsung Galaxy, o grupo californiano — formado por B-Real, Sen Dog, Eric Bobo e DJ Lord — entregou uma apresentação no autódromo de Interlagos que reafirmou sua relevância como um dos nomes mais sólidos do gênero.
A trajetória do quarteto remete ao fim da década de 1980, mais precisamente 1988, quando surgiram em South Gate, na Califórnia. Com o lançamento do álbum autointitulado em 1991 e o estouro de “Black Sunday” em 1993, o Cypress Hill tornou-se o primeiro grupo de rap latino a conquistar um disco de platina nos Estados Unidos, abrindo caminhos para uma fusão rítmica que ainda hoje dita o tom de suas performances ao vivo.
A dinâmica vocal entre os integrantes é um dos pilares do show. Enquanto B-Real utiliza sua voz aguda e anasalada para ditar o ritmo das letras, Sen Dog traz o contraponto com rimas graves e pausadas. Essa combinação ficou evidente em clássicos como “Hand on the Pump” e “Cock the Hammer”, que conduziram a primeira metade do set com batidas lentas e ricas em samples psicodélicos.
As raízes latinas foram celebradas através do “spanglish”, a mistura de inglês e espanhol presente em hinos como “Tequila Sunrise” e “Latin Lingo”. O grupo também aproveitou a passagem por São Paulo para mostrar uma composição inédita que fará parte do próximo disco, anunciado como um projeto totalmente cantado em espanhol, reforçando a identidade cultural que carregam desde a formação.
A força rítmica da banda foi personificada por Eric Bobo, percussionista que também domina a bateria e é filho da lenda do jazz latino Willie Bobo. Durante a apresentação, Bobo realizou um duelo instrumental com o DJ Lord, integrante do Public Enemy.
O clima de show de hip-hop deu lugar ao peso do hardcore quando B-Real provocou a audiência sobre o desejo de ouvir algo mais agressivo. A execução de “Can’t Get The Best of Me” motivou o vocalista a descer do palco e cantar com os fãs na grade.
A conexão com o rock foi selada com as versões de “Bombtrack”, do Rage Against the Machine, e “How I Could Just Kill a Man”, um sucesso original do Cypress Hill que ganhou uma famosa releitura do grupo de Zack de la Rocha.

Como parte indissociável de sua estética, a cultura da cannabis foi celebrada através de hinos como “I Wanna Get High”, “Dr. Greenthumb” e “Hits From the Bong”. O maior sucesso comercial do grupo, “Insane in the Brain”, foi recebido com entusiasmo pela plateia, consolidando o clima de ritual coletivo que o quarteto promove em seus palcos ao redor do mundo.
O encerramento ficou por conta de “Jump Around”, clássico do House of Pain que o grupo frequentemente inclui em seus sets. Antes de explodir no refrão, B-Real comandou a interação clássica com o público, pedindo para que todos os presentes se agachassem. Ao comando do vocalista, a plateia pulou em sincronia, seguindo à risca a proposta rítmica do título da canção e finalizando o show com energia elevada.
Para os fãs interessados em uma experiência mais longa, o Cypress Hill realiza um show solo neste domingo (22), na Audio, em São Paulo. A apresentação faz parte da série dos Lolla sideshows e promete um repertório focado na discografia clássica do grupo, permitindo um mergulho mais profundo na história de uma das bandas mais influentes da cultura urbana global.
O segundo dia desta edição também contou com a estreia de Lewis Capaldi e a performance teatral de Marina no palco Budweiser. O sábado ainda teve a presença nacional da baiana Agnes Nunes e foi encerrado pelo fenômeno pop Chappell Roan e pelo set eletrônico de Skrillex.
A abertura do Lollapalooza, na sexta-feira (20), focou o rock do Deftones e o pop de Sabrina Carpenter, que protagonizou um momento curioso ao “prender” Luísa Sonza no palco. A estreia de Doechii e as apresentações de Negra Li e Edson Gomes também garantiram a diversidade rítmica no início das atividades.
A programação se encerra neste domingo (22), com os aguardados shows de Lorde e Tyler, the Creator. O último dia de atividades em Interlagos ainda reserva espaço para a energia visceral do Turnstile e as melodias de Djo, fechando o ciclo de três dias de música intensa na zona sul de São Paulo.
Setlist de Cypress Hill no Lollapalooza 2026
- When the Shit Goes Down
- Shoot ‘Em Up
- Hand on the Pump
- Tequila Sunrise
- Roll It Up, Light It Up, Smoke It Up
- I Wanna Get High
- Dr. Greenthumb
- Hits from the Bong
- Lowrider
- Can’t Get The Best of Me
- Bombtrack (Rage Against the Machine cover)
- How I Could Just Kill a Man
- Insane in the Brain
- (Rock) Superstar
- Jump Around (House of Pain cover)
Cypress Hill em SP (Lolla Sideshow)
Quando: 22 de março de 2026
Onde: Audio (av. Francisco Matarazzo, 694, Água Branca, São Paulo, SP)
Quanto: R$ 180 a R$ 400
Mais informações: ticket360.com.br



