Chappell Roan confirmou seu status de novo fenômeno global ao encerrar a programação do palco Budweiser neste sábado (21). Na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, a artista norte-americana de 28 anos atraiu uma multidão para um espetáculo que fundiu o pop teatral, a estética drag e o romance gótico no e se destacou em um dia com 85 mil pessoas no autódromo de Interlagos, em São Paulo.
Concebido como um “conto de fadas obscuro”, o show traz uma cenografia robusta, com um castelo medieval repleto de torres pontudas e gárgulas. Capphell surgiu no topo da estrutura encarnando uma guerreira mística, acompanhada por uma banda formada integralmente por mulheres. A proposta visual serviu como suporte para uma narrativa de empoderamento e vulnerabilidade que guiou os 75 minutos de apresentação.
A recepção do público foi marcada por uma sinfonia de leques — acessório que se tornou obrigatório entre os fãs da cantora e que substituiu os tradicionais aplausos em diversos momentos. A plateia, vestida majoritariamente em tons de rosa e com maquiagens elaboradas, transformou o gramado em uma extensão do “Pink Pony Club”, nome de um de seus maiores sucessos e símbolo de sua conexão com a comunidade LGBTQIA+.
A trajetória de Chappell Roan até o topo do lineup de 2026 foi impulsionada pela vitória como artista revelação no Grammy do ano passado. Com o álbum “The Rise and Fall of a Midwest Princess” (2023), ela conseguiu furar a bolha do pop alternativo e ser aclamada por nomes como Lady Gaga. No palco, essa evolução ficou clara por meio de uma segurança cênica que mescla a agressividade do rock com a doçura das baladas confessionais.
O repertório explorou abertamente a sexualidade e as vivências lésbicas da artista, que se mudou do Missouri para Los Angeles em busca de liberdade criativa. Faixas como “Femininomenon” e “Naked in Manhattan” foram recebidas com coros volumosos, enquanto a dramática “Casual” permitiu que Roan demonstrasse sua técnica vocal em uma performance teatral que contrastava com a energia explosiva dos blocos anteriores.
Um dos diferenciais do show foi a pulsão roqueira, que distanciou a apresentação do pop puramente eletrônico. A inclusão de um cover potente de “Barracuda”, clássico da banda Heart, serviu para destacar o virtuosismo das instrumentistas e a versatilidade de Roan em transitar pelo hard rock. Esse intercâmbio rítmico reforçou a proposta do festival em unir diferentes tribos musicais em um mesmo espaço.
A apresentação, porém, não passou ilesa às tensões extracampo. Horas antes de subir ao palco, o jogador Jorginho, do Flamengo, utilizou as redes sociais para criticar uma abordagem supostamente agressiva da equipe de segurança da artista contra sua enteada de 11 anos em um hotel. O relato reverberou na grade do festival, motivando coros de protesto contra o clube carioca por parte dos fãs que aguardavam a entrada da cantora. Ela se desculpou com família do atleta e afirmou que o agente que fez a abordagem não faz parte de sua equipe de segurança.
Chappell Roan é conhecida por impor limites rígidos na relação com a fama, frequentemente questionando a forma como celebridades são tratadas pela mídia e pelos fãs. Mesmo com a polêmica envolvendo sua equipe, a artista demonstrou entusiasmo durante o set, elogiando as drag queens brasileiras e agradecendo o apoio daqueles que respeitam sua privacidade fora dos palcos.

O tom de despedida marcou a reta final da performance, já que o show em Interlagos selou o encerramento da turnê “Visions of Damsels & Other Dangerous Things”. Visivelmente emocionada, a cantora agradeceu sua equipe e seguranças, deixando no ar uma dúvida sobre seu retorno imediato às estradas, o que intensificou a entrega do público nas últimas canções da noite.
O fechamento com “Good Luck, Babe!” e “Pink Pony Club” consolidou a performance como um ritual de aceitação e celebração da cultura queer. A energia de Roan no palco serviu como um fechamento apoteótico para um sábado que ainda contou com a estreia emotiva de Lewis Capaldi e o peso histórico do hip-hop do Cypress Hill.
O segundo dia desta edição também deu visibilidade à estética teatral de Marina e à estreia do grupo de K-pop Riize, além de apresentações nacionais de Agnes Nunes e do projeto Foto em Grupo. No palco Perry’s, o produtor Skrillex manteve a pista aquecida com um set frenético que incluiu referências ao funk brasileiro.
A abertura do Lollapalooza, na sexta-feira (20), focou no rock do Deftones e no pop de Sabrina Carpenter, além de nomes como Doechii e Negra Li. O dia inaugural também contou com o ativismo político e musical de Edson Gomes, estabelecendo a tônica de diversidade da edição.
A programação se encerra neste domingo (22), com os aguardados shows de Lorde e Tyler, the Creator. O último dia de atividades em Interlagos ainda reserva espaço para a energia visceral do Turnstile e as melodias de Djo, fechando o ciclo de três dias de música intensa na zona sul de São Paulo.
Setlist de Chappell Roan no Lollapalooza Brasil 2026
- Super Graphic Ultra Modern Girl
- Femininomenon
- After Midnight
- Naked in Manhattan
- Casual
- The Subway
- Hot to Go!
- Barracuda (Heart cover)
- Picture You
- Love Me Anyway
- The Giver
- Red Wine Supernova
- Coffee
- Good Luck, Babe!
- My Kink Is Karma
- Pink Pony Club



