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Chappell Roan encerra turnê com ritual gótico e celebração queer no Lollapalooza

Em estreia no Brasil, cantora norte-americana levou estética burlesca e banda formada por mulheres a Interlagos

Cantora norte-americana Chappell Roan em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
Cantora norte-americana Chappell Roan em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação

Chappell Roan confirmou seu status de novo fenômeno global ao encerrar a programação do palco Budweiser neste sábado (21). Na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, a artista norte-americana de 28 anos atraiu uma multidão para um espetáculo que fundiu o pop teatral, a estética drag e o romance gótico no e se destacou em um dia com 85 mil pessoas no autódromo de Interlagos, em São Paulo.

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Concebido como um “conto de fadas obscuro”, o show traz uma cenografia robusta, com um castelo medieval repleto de torres pontudas e gárgulas. Capphell surgiu no topo da estrutura encarnando uma guerreira mística, acompanhada por uma banda formada integralmente por mulheres. A proposta visual serviu como suporte para uma narrativa de empoderamento e vulnerabilidade que guiou os 75 minutos de apresentação.

A recepção do público foi marcada por uma sinfonia de leques — acessório que se tornou obrigatório entre os fãs da cantora e que substituiu os tradicionais aplausos em diversos momentos. A plateia, vestida majoritariamente em tons de rosa e com maquiagens elaboradas, transformou o gramado em uma extensão do “Pink Pony Club”, nome de um de seus maiores sucessos e símbolo de sua conexão com a comunidade LGBTQIA+.

 

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A trajetória de Chappell Roan até o topo do lineup de 2026 foi impulsionada pela vitória como artista revelação no Grammy do ano passado. Com o álbum “The Rise and Fall of a Midwest Princess” (2023), ela conseguiu furar a bolha do pop alternativo e ser aclamada por nomes como Lady Gaga. No palco, essa evolução ficou clara por meio de uma segurança cênica que mescla a agressividade do rock com a doçura das baladas confessionais.

O repertório explorou abertamente a sexualidade e as vivências lésbicas da artista, que se mudou do Missouri para Los Angeles em busca de liberdade criativa. Faixas como “Femininomenon” e “Naked in Manhattan” foram recebidas com coros volumosos, enquanto a dramática “Casual” permitiu que Roan demonstrasse sua técnica vocal em uma performance teatral que contrastava com a energia explosiva dos blocos anteriores.

Um dos diferenciais do show foi a pulsão roqueira, que distanciou a apresentação do pop puramente eletrônico. A inclusão de um cover potente de “Barracuda”, clássico da banda Heart, serviu para destacar o virtuosismo das instrumentistas e a versatilidade de Roan em transitar pelo hard rock. Esse intercâmbio rítmico reforçou a proposta do festival em unir diferentes tribos musicais em um mesmo espaço.

A apresentação, porém, não passou ilesa às tensões extracampo. Horas antes de subir ao palco, o jogador Jorginho, do Flamengo, utilizou as redes sociais para criticar uma abordagem supostamente agressiva da equipe de segurança da artista contra sua enteada de 11 anos em um hotel. O relato reverberou na grade do festival, motivando coros de protesto contra o clube carioca por parte dos fãs que aguardavam a entrada da cantora. Ela se desculpou com família do atleta e afirmou que o agente que fez a abordagem não faz parte de sua equipe de segurança.

Chappell Roan é conhecida por impor limites rígidos na relação com a fama, frequentemente questionando a forma como celebridades são tratadas pela mídia e pelos fãs. Mesmo com a polêmica envolvendo sua equipe, a artista demonstrou entusiasmo durante o set, elogiando as drag queens brasileiras e agradecendo o apoio daqueles que respeitam sua privacidade fora dos palcos.

Cantora norte-americana Chappell Roan em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação
Cantora norte-americana Chappell Roan em show no palco Budweiser, na 13ª edição do Lollapalooza Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo | 21.mar.2026/Divulgação

O tom de despedida marcou a reta final da performance, já que o show em Interlagos selou o encerramento da turnê “Visions of Damsels & Other Dangerous Things”. Visivelmente emocionada, a cantora agradeceu sua equipe e seguranças, deixando no ar uma dúvida sobre seu retorno imediato às estradas, o que intensificou a entrega do público nas últimas canções da noite.

O fechamento com “Good Luck, Babe!” e “Pink Pony Club” consolidou a performance como um ritual de aceitação e celebração da cultura queer. A energia de Roan no palco serviu como um fechamento apoteótico para um sábado que ainda contou com a estreia emotiva de Lewis Capaldi e o peso histórico do hip-hop do Cypress Hill.

O segundo dia desta edição também deu visibilidade à estética teatral de Marina e à estreia do grupo de K-pop Riize, além de apresentações nacionais de Agnes Nunes e do projeto Foto em Grupo. No palco Perry’s, o produtor Skrillex manteve a pista aquecida com um set frenético que incluiu referências ao funk brasileiro.

A abertura do Lollapalooza, na sexta-feira (20), focou no rock do Deftones e no pop de Sabrina Carpenter, além de nomes como Doechii e Negra Li. O dia inaugural também contou com o ativismo político e musical de Edson Gomes, estabelecendo a tônica de diversidade da edição.

A programação se encerra neste domingo (22), com os aguardados shows de Lorde e Tyler, the Creator. O último dia de atividades em Interlagos ainda reserva espaço para a energia visceral do Turnstile e as melodias de Djo, fechando o ciclo de três dias de música intensa na zona sul de São Paulo.

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Setlist de Chappell Roan no Lollapalooza Brasil 2026

  1. Super Graphic Ultra Modern Girl
  2. Femininomenon
  3. After Midnight
  4. Naked in Manhattan
  5. Casual
  6. The Subway
  7. Hot to Go!
  8. Barracuda (Heart cover)
  9. Picture You
  10. Love Me Anyway
  11. The Giver
  12. Red Wine Supernova
  13. Coffee
  14. Good Luck, Babe!
  15. My Kink Is Karma
  16. Pink Pony Club
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