O ano era 1994. O grunge já não dominava as paradas de rádio, e Kurt Cobain (1967–1994) havia morrido, mas um grupo de ingleses liderado por Gavin Rossdale (guitarra e vocal) ainda acreditava que a estética de camisas de flanela, calças rasgadas, guitarras distorcidas e melodias pegajosas poderia render frutos. Naquele momento, Oasis e Blur protagonizavam o auge do britpop, gênero cunhado para valorizar a música feita no Reino Unido nos anos 1990.
Não foi à toa que o sucesso imediato do primeiro álbum do Bush, “Sixteen Stone”, lançado alguns meses após o suicídio do líder do Nirvana, aconteceu nos Estados Unidos, onde a trágica morte de Cobain ainda reverberava, e o som grunge de Rossdale e companhia encontrou mais espaço do que em seu país natal.
Mais de 30 anos depois, e com um hiato de oito anos sem tocar, o Bush segue na ativa, agora tendo apenas o seu vocalista como membro original. Neste domingo (30), a banda celebrou essa trajetória ao lado dos fãs brasileiros com um potente show da sugestiva turnê “Loaded – The Greatest Hits”, no palco Mike’s Ice do Lollapalooza, realizado no autódromo de Interlagos, em São Paulo.
Hits do primeiro álbum, como “Everything Zen” e “Machinehead”, que abriram a apresentação, contaram com a participação do público, que cantou junto as duas músicas, mostrando que o sucesso também aconteceu deste lado do Atlântico e continua firme.
“Estamos felizes de estar aqui”, disse Gavin Rossdale antes de ir para a grade com os fãs em “More than Machines”, do disco “The Art of Survival” (2022), trabalho mais recente lançado pelo grupo.
Outras faixas conhecidas pelos fãs, como “Swallowed” e “Greedy Fly”, do álbum “Razorblade Suitcase” (1996), e “The Chemicals Between Us”, de “The Science of Things” (1998), também tiveram excelente recepção. Em “Swallowed”, o talentoso vocalista canta sozinho, sem guitarra, apenas com uma trilha de fundo e o bonito coro do público, resultando em um dos momentos mais marcantes do show.
O mesmo ocorre na icônica “Glycerine”, já na parte final do show, mas, neste caso, ele toca guitarra além de cantar. “Comedown” fechou com perfeição o excelente show de rock feito pelo Bush, uma banda que carrega o legado do grunge, um gênero que, em termos práticos, nunca se renovou no mainstream.