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Living Colour celebra 40 anos com fusão de rock e groove em show em SP

Quarteto de Nova York desembarca na capital paulista com comemoração de 40 anos de carreira no Tokio Marine Hall

Vocalista Corey Glover em show da banda Living Colour no Tokio Marine Hall, em São Paulo | Teca Laboglia - 27.fev.2026/Divulgação
Vocalista Corey Glover em show da banda Living Colour no Tokio Marine Hall, em São Paulo | Teca Laboglia - 27.fev.2026/Divulgação

Os tambores de Will Calhoun, sob a tensão dramática da “Marcha Imperial” — tema clássico da franquia “Star Wars” —, abriram caminho para um Tokio Marine Hall lotado na noite desta sexta-feira (27). O Living Colour trouxe a São Paulo sua turnê “The Best of 40 Years”, transformando a celebração de suas quatro décadas de estrada em uma demonstração de rock, jazz experimental e funk.  Ao longo de duas horas, o quarteto demonstrou que sua relevância não reside na nostalgia, mas na capacidade técnica e no ativismo que fundaram o grupo em 1984.

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A abertura com “Leave It Alone” e “Middle Man” estabeleceu o tom da noite, pautado pelo rigor técnico e por um som firme. Corey Glover, aos 61 anos, conduziu o palco com uma vitalidade que ignora o tempo, atingindo notas agudas com a mesma desenvoltura que demonstrava no fim dos anos 1980. Durante a faixa “Bi”, o vocalista encurtou a distância entre o tablado e a plateia ao descer para a grade, cantando cercado por fãs em um momento de proximidade.

O entrosamento do quarteto é fruto de uma formação que se mantém estável desde 1992. Enquanto o guitarrista Vernon Reid despejava solos que fundem o caos do jazz à agressividade do metal, o baixista Doug Wimbish garantiu a sustentação funkeada que é a assinatura da banda. A conexão de Wimbish com o Brasil é especialmente simbólica: sua estreia oficial no grupo ocorreu no Hollywood Rock de 1992, no Rio de Janeiro, momento em que foi efetivado como membro permanente após um show que ele descreve como um ponto de virada.

Baixista Doug Wimbish em show da banda Living Colour no Tokio Marine Hall, em São Paulo | André Tedim - 27.fev.2026/Divulgação
Baixista Doug Wimbish em show da banda Living Colour no Tokio Marine Hall, em São Paulo | André Tedim – 27.fev.2026/Divulgação

A formação do grupo carrega uma bagagem que vai muito além do rock convencional. Glover é conhecido por seus trabalhos no cinema, como no filme “Platoon”, e no teatro musical em “Jesus Cristo Superstar”. Já Calhoun é formado pela prestigiada Berklee School of Music e traz em seu currículo colaborações com nomes do quilate de Wayne Shorter e Marcus Miller. Essa pluralidade de experiências reflete-se na capacidade da banda de improvisar e criar arranjos que fogem do óbvio, mantendo o espírito vanguardista que nasceu em clubes de Nova York.

Um momento de destaque na capital paulista surgiu no solo de bateria de Will Calhoun. O músico utilizou um trecho de “Baianá”, do grupo brasileiro de percussão corporal Barbatuques, para construir sua performance percussiva. A escolha reflete a admiração declarada da banda pela música brasileira e por artistas nacionais contemporâneos como o Black Pantera, a quem Glover já manifestou apoio por serem modelos de representatividade negra no gênero.

O repertório da noite foi uma curadoria minuciosa que atravessou discos fundamentais como “Vivid” e “Stain”. Covers que se tornaram parte da identidade do grupo também marcaram presença, como a densa “Memories Can’t Wait”, do Talking Heads, e uma versão solene de “Hallelujah”, de Leonard Cohen. Em “Hallelujah”, Glover silenciou o público com uma interpretação que destacou sua potência vocal, transformando o Tokio Marine Hall em um ambiente de absoluta introspecção.

A versatilidade do grupo foi reforçada em um medley de hip-hop, reimaginando clássicos como “The Message”, “White Lines” e “Apache”. Essa fusão de estilos lembra a origem urbana e politizada do grupo, que sempre tratou de temas como identidade e crítica social. Canções como “Open Letter (to a Landlord)” mostraram que as mensagens contidas nas letras continuam ressoando com urgência diante da realidade atual das grandes metrópoles.


No bloco que encerrou a apresentação, a banda enfileirou hinos que marcaram sua trajetória comercial. “Glamour Boys”, inspirada por ritmos solares brasileiros segundo declarações recentes de Glover, e a densa “Love Rears Its Ugly Head” prepararam o público para o impacto de “Cult of Personality”. O maior sucesso comercial do grupo e vencedor do Grammy mobilizou tanto os veteranos que acompanham a banda desde os anos 1990 quanto os novos ouvintes presentes na casa.

O fechamento com “Solace of You”, com sua levada que remete ao calipso e ao reggae, trouxe uma dose de espiritualidade ao ambiente. Sem a necessidade de um bis formal, a banda encerrou a jornada de duas horas deixando clara a intenção de utilizar a energia colhida nesta turnê pela América do Sul para finalizar o próximo álbum de estúdio, o primeiro de inéditas desde o lançamento de “Shade”, em 2017. Segundo Doug Wimbish, o grupo já está em processo de gravação, mas o disco só será lançado quando sentirem que o material está no ponto certo.

A relação do Living Colour com o Brasil é extensa. Desde a estreia em 1992, o grupo retornou ao país para festivais de grande porte como o Rock in Rio (em 2013 e 2022) e a Virada Cultural de São Paulo em 2010. Em 2019, celebraram os 30 anos do álbum “Vivid” em turnê nacional, e em 2024 realizaram uma série de shows que passou por capitais como São Paulo, Rio, Brasília e Belo Horizonte.

Além das apresentações em solo brasileiro, a turnê “The Best of 40 Years Tour” já percorreu Uruguai e Argentina. A logística da estrada, embora complexa e custosa — como ressaltou Wimbish em entrevista recente, citando as dificuldades de se manter uma turnê ativa —, serve como o combustível para manter a chama criativa da banda acesa. O baixista destacou que cada show na América Latina oferece novas informações rítmicas que acabam incorporadas às composições de estúdio.

A agenda de 2026 segue para o Rio de Janeiro neste sábado (28), no Sacadura 154, e para Curitiba no domingo (1º), na Live Curitiba. Após o encerramento da etapa brasileira, os músicos embarcam para Santiago, no Chile (3/3), e terminam o giro sul-americano em Rosário, na Argentina (5/3).

Setlist do Living Colour em SP (27.fev.2026)

  1. Leave It Alone
  2. Middle Man
  3. Memories Can’t Wait (Talking Heads cover)
  4. Go Away
  5. Ignorance is Bliss
  6. Funny Vibe
  7. Bi
  8. Hallelujah (Leonard Cohen cover)
  9. Open Letter (to a Landlord)
  10. Drum Solo / Baianá (Barbatuques cover)
  11. This Is the Life
  12. Pride
  13. White Lines (Don’t Don’t Do It) / Apache / The Message
  14. Glamour Boys
  15. Love Rears Its Ugly Head
  16. Type
  17. Time’s Up
  18. Cult of Personality
  19. Solace of You

Living Colour no Brasil

RIO DE JANEIRO
Quando: 28 de fevereiro de 2026 (sábado)
Onde: Sacadura 154 (r. Sacadura Cabral, 154, Saúde, Rio de Janeiro, RJ)
Quanto: R$ 250 a R$ 500
Mais informações: ticketmaster.com.br

CURITIBA
Quando: 1º de março de 2026 (domingo)
Onde: Live Curitiba (r. Itajubá, 143, Novo Mundo, Curitiba, PR)
Quanto: R$ 219 a R$ 480
Mais informações: bilheteriadigital.com

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