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Gilberto Gil encerra turnê ‘Tempo Rei’ com show em família e homenagem a Preta Gil

Apresentação de três horas no Allianz Parque teve Gilsons, Mãeana e netos no palco, fechando ciclo de mais de um ano de eventos

Gilberto Gil (centro) ao lado de banda e familiares em show de encerramento da turnê "Tempo Rei", no Allianz Parque, em São Paulo | 28.mar.2026/Divulgação
Gilberto Gil (centro) ao lado de banda e familiares em show de encerramento da turnê "Tempo Rei", no Allianz Parque, em São Paulo | 28.mar.2026/Divulgação

Chegou ao fim. Em uma noite de comoção, Gilberto Gil encerrou oficialmente a turnê “Tempo Rei” neste sábado (28), com uma apresentação de três horas que lotou o Allianz Parque, em São Paulo. Diante de 50 mil pessoas, o mestre da MPB celebrou seus 60 anos de carreira em um espetáculo que teve a família como convidada de honra e foi atravessado por uma homenagem à sua filha, Preta Gil (1974-2025).

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Diferentemente do que ocorreu ao longo de toda a excursão, que recebeu dezenas de artistas, Gil explicou que o desfecho paulista seria reservado aos seus. “Os convidados de hoje são todos da família”, anunciou. Para o ponto final, ele convocou seu núcleo artístico, reforçando a continuidade do seu DNA musical. O palco recebeu a cantora Mãeana (nora) e o neto Francisco Gil para “Queremos Saber”, seguidos pela neta Flor Gil em “Estrela” e o neto Bento Gil, que o acompanhou ao violão em “A Paz”.

O trio Gilsons, formado pelo filho José Gil e os netos Francisco e João Gil, protagonizou um dos momentos mais vibrantes com “Nossa Gente (Avisa Lá)”. A releitura do clássico da tropicália simbolizou uma passagem de bastão, unindo o balanço histórico de Gil ao frescor pop que o trio consolidou nos últimos anos. “Os filhos valeram, os netos valem mais ainda”, brincou o patriarca durante a interação.

A lembrança de Preta Gil pontuou o roteiro de forma sensível. Durante o setlist, Bem Gil — que assina a direção musical da turnê — pediu licença ao pai para saudar a irmã, gesto que foi prontamente acompanhado por uma ovação da plateia. Gilberto Gil compartilhou reflexões sobre a ausência da filha, tratando a saudade como um elemento presente na caminhada: “A vida é por aqui. Vamos fazendo-a”, declarou o artista aos fãs.

O tributo ganhou contornos ainda mais profundos por ocorrer no mesmo Allianz Parque onde, em abril de 2025, pai e filha viveram um ato simbólico. Naquela ocasião, Preta, que enfrentava o tratamento de saúde, fez uma aparição surpresa e dividiu os vocais em “Drão”, protagonizando um dos episódios mais marcantes de toda a jornada “Tempo Rei” em solo paulistano.

No repertório de 33 músicas, Gil demonstrou um vigor contagiante. O músico dançou e comandou a superbanda com precisão, passando pela trilogia “Refazenda”, “Refavela” e “Realce”. A narrativa musical partiu da solar “Palco” (1981) e incluiu clássicos fundamentais como “Cálice”, “A Novidade” e “Não Chores Mais”, mantendo o público em pé durante toda a execução.

A parte visual da noite contou com a cenografia imersiva de Rafael Dragaud, destacando o vórtex de LED suspenso que criava jogos de luzes e projeções abstratas. A direção musical, assinada por Bem Gil e José Gil, garantiu que a sonoridade transitasse com fluidez entre o samba, o reggae e o pop, marcas do ecletismo do mestre tropicalista.

Ao final, Gil parecia relutar em deixar a cena. Após “Toda Menina Baiana”, última canção prevista, ele retornou para agradecer enquanto a banda ainda executava “Atrás do Trio Elétrico”. Foi a despedida de um recordista: com a apresentação deste sábado, Gilberto Gil selou a marca de sete shows realizados no Allianz Parque em um único ano, um feito inédito para o estádio.

A rotatividade de parcerias foi, aliás, a espinha dorsal do projeto ao longo de um ano. O giro começou em março de 2025, em Salvador, com as participações de Margareth Menezes e Russo Passapusso. As noites no Rio de Janeiro somaram encontros com Caetano Veloso, Chico Buarque, Anitta e Iza.

Em outras datas cariocas na Farmasi Arena, Gil recebeu Zeca Pagodinho, Jorge Ben Jor e Os Paralamas do Sucesso. São Paulo também testemunhou momentos raros, como a participação de Seu Jorge e o dueto com Roberto Carlos, interpretando “Além do Horizonte”.

A turnê somou 29 apresentações, além do show especial de Réveillon na praia de Copacabana ao lado de Ney Matogrosso, sendo vista por quase um milhão de espectadores. A logística incluiu uma perna internacional bem-sucedida, com paradas recentes em Santiago (7/3) e Buenos Aires (11/3), consolidando o caráter diplomático da cultura brasileira no exterior.

A versatilidade da tour também se manifestou em formatos fora das arenas, como o Navio Tempo Rei, realizado em dezembro, e a inauguração da temporada do Tiny Desk Brasil em fevereiro. No Recife, o Classic Hall reuniu o time do Grande Encontro com Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Elba Ramalho, além de Lenine e João Gomes.

Em Belém, no último dia 21 de março, ele recebeu a cantora Fafá de Belém para um dueto em “Emoriô”. Apesar do encerramento desta série de grandes espetáculos, a aposentadoria não está nos planos imediatos, com o artista mantendo-se ativo para eventos pontuais e festivais.

O próximo compromisso de gala já está agendado para o dia 7 de setembro, no Rock in Rio. Gil se apresentará no palco Mundo na mesma noite em que o britânico Elton John será o headliner, em um encontro de lendas que promete ser o ponto alto da edição de 2026 do festival.

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