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Veja como foram os desfiles das escolas de samba de SP no Carnaval 2026

Disputa no Anhembi foi marcada por luxo e tecnologia, mas também por problemas em carros e punições

Foliões em desfile da escola de samba Colorado do Brás, no sambódromo do Anhembi, em São Paulo; agremiação teve o enredo “A Bruxa Está Solta – Senhoras do Saber Renascem na Colorado” no Carnaval | Felipe Araújo - 13.fev.2026/Divulgação
Foliões em desfile da escola de samba Colorado do Brás, no sambódromo do Anhembi, em São Paulo; agremiação teve o enredo “A Bruxa Está Solta – Senhoras do Saber Renascem na Colorado” no Carnaval | Felipe Araújo - 13.fev.2026/Divulgação

O sambódromo do Anhembi foi palco de duas noites de desfiles intensos e equilibrados no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo. Entre a sexta-feira (13) e a madrugada de domingo (15), as 14 escolas de elite apresentaram enredos potentes, alegorias grandiosas e muita tecnologia, em uma disputa que se mostrou acirrada e imprevisível.

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Império de Casa Verde, Mocidade Alegre e Gaviões da Fiel despontaram com apresentações que empolgaram o público e a crítica, credenciando-se como fortes candidatas ao título. Dragões da Real e Acadêmicos do Tatuapé também realizaram bons desfiles, mas a briga pelo campeonato foi atravessada por uma série de percalços que podem ser decisivos.

A disputa foi marcada por problemas técnicos que afetaram diversas agremiações. O mais grave foi o da Camisa Verde e Branco, cujo último carro quebrou e a deixou 19 segundos além do tempo permitido. A Acadêmicos do Tatuapé provocou um atraso de mais de uma hora na primeira noite, após um de seus carros vazar óleo na pista. Já a Rosas de Ouro, atual campeã, teve que lidar com um integrante de sua comissão de frente que desmaiou antes de entrar na avenida.

A apuração, que acontece nesta terça-feira (17), promete ser tensa e definida nos detalhes. A ordem de leitura dos quesitos foi sorteada e o último a ser revelado será Fantasia, que, pela regra, se torna o primeiro critério de desempate em caso de notas iguais entre duas ou mais escolas.

Duas agremiações já entrarão na apuração com penalidades confirmadas. A Rosas de Ouro perderá cinco décimos por ter entregado documentos fora do prazo. A Camisa Verde e Branco, por sua vez, será punida em dois décimos por ter estourado o tempo limite de seu desfile.

O balanço das duas noites aponta para uma das disputas mais equilibradas dos últimos anos, onde a excelência técnica de algumas escolas esbarrou em falhas operacionais que podem custar o título.

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Sexta-feira (13)

Mocidade Unida da Mooca

A noite começou com a estreia da Mocidade Unida da Mooca na elite. Com o enredo “Gèlèdés – Agbara Obinrin”, a escola homenageou o Geledés – Instituto da Mulher Negra, destacando a força da mulher negra e a ancestralidade iorubá. A filósofa e ativista Sueli Carneiro e a escritora Conceição Evaristo foram destaques.

O desfile emocionou com as paradinhas da bateria “Chapa Quente” e os punhos erguidos de seus componentes, em um forte gesto antirracista. “Fazendo a nossa luta de resistência e tendo esse resultado”, celebrou Conceição Evaristo.

Apesar da força do enredo, a agremiação enfrentou problemas de evolução e precisou acelerar o passo no final para não estourar o tempo, encerrando sua passagem a apenas 20 segundos do limite.

Colorado do Brás

A Colorado do Brás apresentou o enredo “A Bruxa está solta! Senhoras do saber renascem na Colorado”. O desfile foi colorido e lúdico, trazendo desde referências a contos de fadas até personagens da cultura pop, como a Cuca, do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”.

Um dos destaques foi a comissão de frente, que encenou um ritual com um grande caldeirão. Em uma das alegorias, a atriz Fabi Bang, que interpretou a personagem Glinda no musical “Wicked”, desfilou com o figurino do espetáculo.

A escola da zona leste passou pela avenida sem grandes problemas técnicos, destacando-se pela criatividade de suas fantasias.

Dragões da Real

Com o enredo “Guerreiras Icamiabas – Uma Lendária História de Força e Resistência”, a Dragões da Real fez um desfile tecnicamente impecável. A escola impressionou pela grandiosidade de suas alegorias, como o carro abre-alas com um dragão de 12 metros que soltava fumaça.

A aposta no primeiro tema indígena de sua história se mostrou acertada no quesito visual, com outra alegoria trazendo uma onça que se transformava em mulher. A madrinha de bateria, Lexa, fez sua estreia no carnaval paulistano.

Apesar da perfeição técnica, a apresentação foi considerada fria por parte do público, mas a escola se mantém forte na briga pelo campeonato.

Acadêmicos do Tatuapé

O enredo “Plantar para Colher e Alimentar: Tem Muita Terra Sem Gente e Muita Gente Sem Terra” levou a Acadêmicos do Tatuapé a fazer uma crítica à concentração fundiária, com homenagem ao MST. O desfile contou com a presença do jornalista Chico Pinheiro e do ex-jogador Raí.

A comunidade da escola cantou forte o samba-enredo durante todo o percurso, sendo um dos pontos altos da apresentação.

No entanto, o desfile foi marcado por um grave problema: um vazamento de óleo em um dos carros alegóricos sujou a pista e atrasou o cronograma da noite em mais de uma hora, o que pode custar pontos preciosos.

Rosas de Ouro

Atual campeã, a Rosas de Ouro entrou na avenida com o desafio de superar a perda de 0,5 ponto. Com o enredo “Escrito nas Estrelas”, a escola da Brasilândia fez um desfile luxuoso sobre astrologia.

A apresentação, no entanto, enfrentou mais um obstáculo. Um dos integrantes da comissão de frente desmaiou durante a concentração e não pôde desfilar, o que pode gerar mais descontos de nota.

Apesar dos problemas, a escola empolgou o público com suas alegorias iluminadas, mas a soma de penalidades a coloca em posição delicada na briga contra o rebaixamento.

Vai-Vai

Maior vencedora do carnaval paulistano, a Vai-Vai entrou no Anhembi já com o dia amanhecendo. A escola do Bexiga apresentou o enredo “Em Cartaz: A Saga Vencedora de um Povo Heroico no Apogeu da Vedete da Pauliceia”, uma homenagem aos estúdios de cinema Vera Cruz.

O grande destaque foi, mais uma vez, a força de sua comunidade, que cantou o samba em coro e empurrou a escola durante todo o percurso.

Apesar da garra de seus componentes, a agremiação apresentou quesitos plásticos, como alegorias e fantasias, considerados abaixo do nível de competitividade do Grupo Especial.

Barroca Zona Sul

Encerrando a primeira noite, a Barroca Zona Sul reverenciou a orixá Oxum com o enredo “Oro Mi Maió Oxum”. O desfile foi marcado pelo brilho do dourado e por alas com referências às religiões de matriz africana.

A escola, no entanto, voltou a enfrentar problemas de evolução. Uma falha no recuo da bateria abriu um grande buraco na avenida.

A verde e rosa precisou acelerar o passo no final para não estourar o tempo e encerrou sua apresentação no último minuto permitido.

 

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Sábado (14)

Império de Casa Verde

A Império de Casa Verde abriu a segunda noite com o enredo “Império dos Balangadãs: joias negras afro-brasileiras”. A escola da zona norte fez um desfile equilibrado e colorido, credenciando-se como uma das favoritas ao título.

O carro abre-alas, com um enorme tigre dourado, impressionou. A bateria também ousou ao fazer uma parada completa, com os ritmistas apenas batendo palmas, sem perder o ritmo.

A evolução foi um dos destaques, e a escola passou pela avenida de forma segura e compacta.

Águia de Ouro

Com o enredo “Mokum Amsterdã, o voo da Águia à cidade libertária”, a Águia de Ouro reverenciou a capital da Holanda. O desfile fez referências a Van Gogh e Anne Frank.

Apesar da beleza de algumas alegorias, a escola apresentou graves problemas de evolução, com a abertura de grandes buracos ao longo do percurso.

As falhas na evolução devem custar pontos preciosos à escola da Pompeia.

Mocidade Alegre

Atual bicampeã, a Mocidade Alegre exaltou a trajetória da atriz Léa Garcia, que morreu em 2023. O enredo narrou momentos marcantes da carreira da artista.

O desfile teve a médica e ex-BBB Thelma Assis interpretando a atriz na comissão de frente. O destaque plástico foi a alegoria de Iemanjá, com 13 metros de altura e que utilizou 10 mil litros de água.

Apesar da beleza de seu desfile, a Morada do Samba também enfrentou problemas de evolução e precisou acelerar o passo no final, encerrando sua apresentação já nos segundos extras do tempo limite.

Gaviões da Fiel

Com o enredo “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã”, a Gaviões da Fiel celebrou a luta e o legado dos povos indígenas. A escola corintiana evitou o uso do verde, cor de seu arquirrival Palmeiras.

O desfile foi um grande manifesto, com homenagens a líderes como Raoni e a ministra Sonia Guajajara. Sabrina Sato veio à frente da bateria com uma fantasia representando as flores da floresta.

Com o forte apoio de sua torcida nas arquibancadas, a Gaviões fez uma apresentação impactante e se colocou entre as favoritas ao título.

Estrela do Terceiro Milênio

A Estrela do Terceiro Milênio homenageou o compositor Paulo César Pinheiro com o enredo “Hoje a poesia vem ao nosso encontro”. O desfile celebrou as parcerias do poeta com grandes nomes da música brasileira.

Uma escultura mostrou o compositor amordaçado, em alusão à censura sofrida durante a ditadura militar.

A agremiação do Grajaú fez uma apresentação correta e sem grandes percalços.

Tom Maior

De volta ao Grupo Especial, a Tom Maior apresentou um enredo sobre a trajetória do médium Chico Xavier e a cidade de Uberaba (MG). O ator Renato Prieto, do filme “Nosso Lar”, desfilou em um dos carros.

O desfile foi aberto com uma apresentação do pajé do Boi Garantido, de Parintins.

A escola, no entanto, enfrentou um problema técnico com a iluminação de seu segundo carro alegórico, o que pode gerar descontos.

Camisa Verde e Branco

Encerrando os desfiles, a Camisa Verde e Branco celebrou Exu com o enredo “Abre Caminhos”. O desfile se destacou pela beleza plástica e por um samba-enredo forte.

O abre-alas, inspirado na arte africana, foi decorado com cerca de 3.000 placas de búzios.

No entanto, o desfile foi comprometido por um grave problema: o último carro quebrou, o que fez a agremiação estourar o tempo em 19 segundos, resultando em uma punição de 0,2 ponto.

 

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