“Para todo mundo refletir e pensar num Brasil mais justo, mais igual, respeitando exatamente as diferenças”. Com essas palavras, o ícone da música baiana Lazzo Matumbi iniciou a performance de sua canção “14 de Maio” durante o show do BaianaSystem, neste sábado (24), no Memorial da América Latina, em São Paulo. A participação foi um dos momentos mais politizados do “Baile Pirataria – Versão Améfrica”.
A música, lançada em 2019 e composta por Lazzo e Jorge Portugal, é uma crítica contundente à abolição da escravatura. O título faz referência ao dia seguinte à assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, para denunciar que, apesar da liberdade formal, a população negra foi abandonada à própria sorte, sem trabalho, moradia ou políticas de inclusão.
Versos como “No dia 14 de maio, eu saí por aí / Não tinha trabalho, nem casa, nem pra onde ir / Levando a senzala na alma, subi a favela” ilustram a marginalização que se seguiu à abolição. A canção, que também exalta a resistência e cita o bloco Ilê Aiyê, se tornou um hino de afirmação da identidade negra.
Aos 68 anos, Lazzo Matumbi é uma figura central na música negra baiana. Sua carreira começou como vocalista do Ilê Aiyê, de 1978 a 1980, período que fortaleceu sua consciência racial e o ativismo, temas que atravessam toda a sua obra. Desde que iniciou a trajetória solo, em 1981, suas letras abordam o racismo e a exaltação das culturas afrodiaspóricas.
Alem da performance de Lazzo, o baile, que reuniu um público de 13 mil pessoas com ingressos esgotados, seguiu com as participações especiais do rapper Emicida, da cantora Luedji Luna e da atriz e cantora Alice Carvalho. Com a proposta de enfatizar as raízes afrolatinas, o evento trouxe um formato de sistema de som carnavalesco. “O Baiana chega a São Paulo com essa crew sonora carnavalesca”, explicou o vocalista Russo Passapusso.
A noite foi também uma celebração das recentes conquistas da música baiana. Tanto o BaianaSystem quanto Luedji Luna chegaram à festa embalados pela vitória no Grammy Latino de 2025. O grupo venceu na categoria de melhor álbum de rock ou de música alternativa em língua portuguesa com “O Mundo Dá Voltas”, e a cantora levou o troféu por melhor álbum de música popular brasileira com “Um Mar pra Cada Um”.
BaianaSystem faz baile de pré-Carnaval em SP com Emicida, Lazzo Matumbi e Luedji Luna
Vocalista Russo Passapusso (esq.) em show do BaianaSystem na festa de pré-Carnaval Baile Pirataria - Versão Améfrica, no Memorial da América Latina, em São Paulo | 24.jan.2026/Divulgação
Guitarrista Roberto Barreto (esq.) e vocalista Russo Passapusso em show do BaianaSystem na festa de pré-Carnaval Baile Pirataria - Versão Améfrica, no Memorial da América Latina, em São Paulo | 24.jan.2026/Divulgação
Guitarrista Roberto Barreto (esq.) e vocalista Russo Passapusso em show do BaianaSystem na festa de pré-Carnaval Baile Pirataria - Versão Améfrica, no Memorial da América Latina, em São Paulo | 24.jan.2026/Divulgação
Vocalista Russo Passapusso (esq.) em show do BaianaSystem na festa de pré-Carnaval Baile Pirataria - Versão Améfrica, no Memorial da América Latina, em São Paulo | Rafael Strabelli - 24.jan.2026/Divulgação
Cantor baiano Lazzo Matumbi participa como convidado especial em show do BaianaSystem na festa de pré-Carnaval Baile Pirataria - Versão Améfrica, no Memorial da América Latina, em São Paulo | 24.jan.2026/Divulgação
Cantor baiano Lazzo Matumbi participa como convidado especial em show do BaianaSystem na festa de pré-Carnaval Baile Pirataria - Versão Améfrica, no Memorial da América Latina, em São Paulo | 24.jan.2026/Divulgação
Cantor baiano Lazzo Matumbi participa como convidado especial em show do BaianaSystem na festa de pré-Carnaval Baile Pirataria - Versão Améfrica, no Memorial da América Latina, em São Paulo | Rafael Strabelli - 24.jan.2026/Divulgação
Atriz e cantora Alice Carvalho participa como convidado especial em show do BaianaSystem na festa de pré-Carnaval Baile Pirataria - Versão Améfrica, no Memorial da América Latina, em São Paulo | 24.jan.2026/Divulgação
Rapper Emicida (esq.) e Russo Passapusso, vocalista do BaianaSystem, em show do do grupo baiano na festa de pré-Carnaval Baile Pirataria - Versão Améfrica, no Memorial da América Latina, em São Paulo | 24.jan.2026/Divulgação
Vocalista Russo Passapusso (esq.), do BaianaSystem, e rapper Emicida, como convidado especial, em show do do grupo baiano na festa de pré-Carnaval Baile Pirataria - Versão Améfrica, no Memorial da América Latina, em São Paulo | 24.jan.2026/Divulgação
Rapper Emicida participa como convidado especial em show do BaianaSystem na festa de pré-Carnaval Baile Pirataria - Versão Améfrica, no Memorial da América Latina, em São Paulo | Rafael Strabelli - 24.jan.2026/Divulgação
Rapper Emicida participa como convidado especial em show do BaianaSystem na festa de pré-Carnaval Baile Pirataria - Versão Améfrica, no Memorial da América Latina, em São Paulo | 24.jan.2026/Divulgação
Rapper Emicida participa como convidado especial em show do BaianaSystem na festa de pré-Carnaval Baile Pirataria - Versão Améfrica, no Memorial da América Latina, em São Paulo | 24.jan.2026/Divulgação
Cantora baiana Luedji Luna (esq.) e Russo Passapusso (dir.), vocalista do BaianaSystem, em show do grupo na festa de pré-Carnaval Baile Pirataria - Versão Améfrica, no Memorial da América Latina, em São Paulo | 24.jan.2026/Divulgação
Cantora baiana Luedji Luna (esq.) participa como convidada especial de show do grupo na festa de pré-Carnaval Baile Pirataria - Versão Améfrica, no Memorial da América Latina, em São Paulo | 24.jan.2026/Divulgação
Guitarrista Roberto Barreto (esq.), do BaianaSystem, e cantora Luedji Luna, como convidada especial, em show do grupo na festa de pré-Carnaval Baile Pirataria - Versão Améfrica, no Memorial da América Latina, em São Paulo | 24.jan.2026/Divulgação
Guitarrista Roberto Barreto (esq.), do BaianaSystem, e cantora Luedji Luna, como convidada especial, em show do grupo na festa de pré-Carnaval Baile Pirataria - Versão Améfrica, no Memorial da América Latina, em São Paulo | Rafael Strabelli - 24.jan.2026/Divulgação
Cantor baiano Lazzo Matumbi (centro) participa como convidado especial em show do BaianaSystem na festa de pré-Carnaval Baile Pirataria - Versão Améfrica, no Memorial da América Latina, em São Paulo | 24.jan.2026/Divulgação
Público em show do BaianaSystem na festa de pré-Carnaval Baile Pirataria - Versão Améfrica, no Memorial da América Latina, em São Paulo | 24.jan.2026/Divulgação
BaianaSystem com convidados como Luedji Luna (de preto, à esq.), Lazzo Matumbi (jaqueta branca) e Emicida (boné vermelho) em show do grupo na festa de pré-Carnaval Baile Pirataria - Versão Améfrica, no Memorial da América Latina, em São Paulo | 24.jan.2026/Divulgação
Personagem Saci Pererê em show do BaianaSystem na festa de pré-Carnaval Baile Pirataria - Versão Améfrica, no Memorial da América Latina, em São Paulo | 24.jan.2026/Divulgação























As conexões com os convidados são de longa data. Luedji Luna, parceira frequente, já esteve a bordo do Navio Pirata em outras ocasiões. Emicida, por sua vez, participou da faixa “A Laje”, do premiado álbum “O Mundo Dá Voltas”.
A festa de 9 horas de duração contou ainda com as apresentações do grupo Ilu Obá de Min, da fanfarra Cornucópia Desvairada e dos DJ’s Magrão e Lys Ventura.
O evento na capital paulista serviu como um aquecimento para a folia, quando a banda coloca na rua seu tradicional trio elétrico. Com o tema “Carnaval Dejavu”, o grupo já divulgou sua programação para as ruas em 2026. Em Salvador, os desfiles acontecem nos dias 7, 13, 14 e 17 de fevereiro. O encerramento, como já é tradição, será em São Paulo, no pós-folia, em 21 de fevereiro, no circuito do Ibirapuera.
Letra de ’14 de Maio’
No dia 14 de maio, eu saí por aí
Não tinha trabalho, nem casa, nem pra onde ir
Levando a senzala na alma, subi a favela
Pensando em um dia descer, mas eu nunca desci
Zanzei zonzo em todas as zonas da grande agonia
Um dia com fome, no outro sem o que comer
Sem nome, sem identidade, sem fotografia
O mundo me olhava, mas ninguém queria me ver
No dia 14 de maio, ninguém me deu bola
Eu tive que ser bom de bola pra sobreviver
Nenhuma lição, não havia lugar na escola
Pensaram que poderiam me fazer perder
Mas minha alma resiste, o meu corpo é de luta
Eu sei o que é bom, e o que é bom também deve ser meu
A coisa mais certa tem que ser a coisa mais justa
Eu sou o que sou, pois agora eu sei quem sou eu
Será que deu pra entender a mensagem?
Se ligue no Ilê Aiyê
Se ligue no Ilê Aiyê, agora que você me vê
Repare como é belo, vê nosso povo lindo
Repare que é o maior prazer
Bom pra mim, bom pra você
Estou de olho aberto
Olha, moço, fique esperto, que eu não sou menino
No dia 14 de maio, eu saí por aí
Não tinha trabalho, nem casa, nem pra onde ir
Levando a senzala na alma, subi a favela
Pensando em um dia descer, mas eu nunca desci
Zanzei zonzo em todas as zonas da grande agonia
Um dia com fome, no outro sem o que comer
Sem nome, sem identidade, sem fotografia
O mundo me olhava, mas ninguém queria me ver
No dia 14 de maio, ninguém me deu bola
Eu tive que ser bom de bola pra sobreviver
Nenhuma lição, não havia lugar na escola
Pensaram que poderiam me fazer perder
Mas minha alma resiste, o meu corpo é de luta
Eu sei o que é bom, e o que é bom também deve ser meu
A coisa mais certa tem que ser a coisa mais justa
Eu sou o que sou, pois agora eu sei quem sou eu
Será que deu pra entender a mensagem?
Se ligue no Ilê Aiyê
Se ligue no Ilê Aiyê, agora que você me vê
Repare como é belo, vê nosso povo lindo
Repare que é o maior prazer
Bom pra mim, bom pra você
Estou de olho aberto
Olha, moço, fique esperto, que eu não sou menino
Será que deu pra entender a mensagem?
Se ligue no Ilê Aiyê
Se ligue no Ilê Aiyê, agora que você me vê
Repare como é belo, vê nosso povo lindo
Repare que é o maior prazer
Bom pra mim, bom pra você
Estou de olho aberto
Olha, moço, fique esperto, que eu não sou menino
Olha, moço, fique esperto, que eu não sou menino
Olha, moço, fique esperto, que eu não sou menino
Olha, moço, fique esperto, que eu não sou menino
Olha, moço, fique esperto, que eu não sou menino
Diz aí!
E aí, mano!



